“NOSTALGIA” (1983), de Andrei Tarkovski, é o filme tema de nosso 35º Encontro Cinematógrafo e Saladearte Daten, que acontece nesta quarta (12), às 19h30, via Google Meet. Assista ao filme até lá e participe.

Atualização (13/ago). O encontro não foi gravado.


NOTA DOS CURADORES

ANDREI TARKOVSKI, EXÍLIO E POESIA

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Em novembro de 2019, o Cinematógrafo realizou o Ciclo Tarkovski do Cine Cineasta, exibindo toda a filmografia (seus sete longas) do mestre russo. Pudemos entrever, nas suas diferentes obras, os problemas essenciais que marcaram a trajetória de Tarkovski na sua busca quase religiosa de um cinema espiritual que evocasse os sentimentos humanos mais profundos.

A formação do caráter que se forma com a experiência da vida (“A Infância de Ivan” e “Andrei Rublev”, seus primeiros filmes); a visão intimista e transcendente da vida pensada a partir da memória (“O Espelho”); o desafio de conciliar a busca do conhecimento com a dimensão espiritual da condição humana (“Stalker” e “Solaris”, suas célebres ‘ficções científicas’). Essencialmente, toda a obra de Tarkovski é atravessada por temas morais e metafísicos, pela ética do sacrifício, pelo mistério do sonho, pela evocação da presença humana no mundo com todo seu esplendor e sua melancolia, pela busca da integridade da condição humana, em suma, com suas luzes e sombras.

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“Nostalgia”, de 1983 (penúltimo filme Tarkovski), foi o seu primeiro filme feito no doloroso exílio do cineasta que saíra da União Soviética. Rodado na Itália, mostra o drama interior de um poeta russo, Andrei Gorchakov, que é biógrafo de um grande compositor também russo e que faz um périplo por lugares na Itália que teriam sido visitados , tempos antes, por esse histórico compositor da Rússia feudal. Mergulhado numa inefável nostalgia, o poeta se refugia num impenetrável silêncio até encontrar Domenico (interpretado por Erland Josephson, ator dos filmes de Ingmar Bergman “O Rosto”, “A Hora do Lobo”, “Gritos e Sussurros”), um velho “lunático”, assim chamado por seu estranho e solitário modo de viver, de pensar e de agir.

De traços autobiográficos, o Andrei de “Nostalgia” vive a angústia da errância por uma terra estrangeira, e também a errância interior, refletindo o espírito daquela fase enfrentada pelo próprio Andrei cineasta, artista exilado. O anseio de ver e de “encontrar um equilíbrio entre a realidade e a harmonia pela qual anseia”, como o próprio Tarkovski se refere, em seu livro “Esculpir o Tempo”, ao drama do personagem de “Nostalgia”, reflete a ânsia pela totalidade do ser que nos lança a uma nostalgia intraduzível, matéria primordial do gênio místico criativo do diretor russo, um “sacerdote do cinema”.

“Nostalgia” foi premiado em Cannes e realizado em companhia do célebre escritor, argumentista e roteirista italiano Tonino Guerra, que co-dirigiu com Tarkovski o documentário “Tempo de Viagem”, que registra a andança do cineasta pela Itália na busca das locações de “Nostalgia”.

Por Mel e Fabricio, cineastas e curadores do Cinematógrafo.


Vamos conversar sobre “Nostalgia” nesta quarta (12), no 35º Encontro Virtual do Cinematógrafo e Saladearte Daten, que começa às 19h30 via Google Meet. Assista ao filme até e participe!

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