Nos dias 31 de outubro (sáb) e 4 de novembro (qua), nossos Encontros Virtuais Cinematógrafo e Saladearte terão como tema o filme “No” (2012), do diretor chileno Pablo Larraín.

Indicado ao Oscar em 2013, “No” fecha a trilogia do diretor sobre a ditadura no Chile (Post Morten trata do golpe em 1973 e Tony Manero do período de maior repressão, 1978). “No” é inteiramente filmado em U-Matic, tecnologia de gravação em vídeo que era usada pela televisão na época em que se passa o filme.

No sábado, nosso encontro é com o filme em si para conversarmos sobre os seus temas e impactos em nós. Na quarta, nós nos colocamos, através do filme, diante do próprio cinema para pensá-lo como linguagem artística. Em “No”, a forma expressa as transformações circunstanciais do contexto temático.  

Nossos encontros virtuais acontecem às quartas e aos sábados. Os filmes indicados são assistidos com antecedência e são temas de nossas conversas! Para participar e receber por email os links especiais e as infos de nossos encontros virtuais, cadastre-se:

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NOTA DOS CURADORES

Democracia, desejo e a economia da imagem

Como a sociedade deseja ver a si mesma? Em “No” (2012), de Pablo Larraín, as imagens – através do apelo publicitário – assumem o seu lugar de configuradoras dos regimes sensíveis sociais, que determinam as ‘ideologias’ que espelham a imagem da sociedade para ela mesma.

Chile, 1988. O regime ditatorial de Pinochet, sob forte pressão internacional, autoriza a realização de um referendo para a população do país se manifestar, eleitoralmente, sobre a permanência ou não de Pinochet no poder. O “Sim” era a continuidade. O “Não”, a ruptura que iniciaria a transição para a democracia. Durante um mês, cada lado – Sim e Não – terão 15 minutos de televisão em cadeia nacional para convencerem a população chilena de suas razões: democracia ou ditadura?

René Saavedra, interpretado por Gael García Bernal, é um publicitário que viveu exilado e é filho de um conhecido militante de esquerda, campo que coordena a campanha do “Não”. Profissional de sucesso, René é consultado por dirigentes dos partidos militantes do “Não” e, hesitantemente e sem esclarecer as suas razões, ele adere à campanha do “Não”. O publicitário passa a conceber, de uma perspectiva publicitária, a campanha televisiva do “Não”, em tensão com a ética política e posições ideológicas dos dirigentes de esquerda.

Um período de capitalismo em mutação. Os mesmos “gringos” que patrocinaram o golpe que matou Allende, instaurou a ditadura e alçou o General Augusto Pinochet ao poder, agora financiam a campanha do “Não”. Nesse sentido, “No” é um filme que reflete, da perspectiva da “sociedade do espetáculo”, sobre o caráter da Democracia e o que se entende por política no contexto de transformações e da eloquência social das imagens que a tudo devora em seu regime do visível.

A nossa questão inicial, ‘como a sociedade deseja ver a si mesma?’, imbrica no jogo político a relação entre Democracia e consumo, política e o reino dos desejos de consumidores narcisistas, sem negar que tais desejos implicam também, ideologicamente, a vontade de liberdade individual e de direitos sociais, encampada por valores democráticos de soberania popular frente ao estado, cuja estrutura é sempre oligárquica. A economia das imagens em relação dialética com a imagem da economia e com as ideologias que conformam os desejos políticos.

Há poucos dias, o Chile deu um passo a mais na superação do legado ditatorial com o referendo que, com esmagadora vitória e ampla participação popular, decidiu mudar a Constituição do país, vigente há 40 anos, desde a ditadura de Augusto Pinochet. O desafio seguinte será concretizar as demandas da população por mais direitos sociais. Uma nova “campanha” começa, com vistas às transformações políticas, sociais e econômicas que definirão os novos rumos do país.

René, o publicitário de “No”, apresenta as suas propostas de campanhas comerciais aos clientes, referindo-se a uma novela de TV, a um refrigerante ou à democracia, dizendo: “Este comercial está inserido em um contexto social. Hoje o Chile é um país que pensa no futuro”. Ao tratar a democracia como um produto que, de um prisma ideológico, é fonte de alegrias e prazeres, o filme transpõe a política para o campo dos desejos, enfatizando as relações entre política e sociedade de consumo. Uma relação que se assenta na base dos problemas contemporâneos fundamentais em plena atualidade da sociedade das imagens.

Por Fabricio e Mel, cineastas e curadores do Cinematógrafo na Saladearte.

 

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ENCONTROS VIRTUAIS

Os Encontros Virtuais Cinematógrafo e Saladearte Daten acontecem nas tardes de sábado e nas noites de quarta desde o início da quarentena, sempre com um filme diferente sugerido pelos curadores do Cinematógrafo, os cineastas Camele Queiroz e Fabricio Ramos, e que pode ser visto online, em casa, a qualquer hora antes do encontro. As conversas acontecem via Google Meet e são participativas. A ação é gratuita, aberta e não tem fins comerciais.

Acompanhem o Instagram e Facebook do Cinematógrafo para ficar por dentro de nossa programação de Encontros Virtuais, que acontecerão durante todo o período em que as salas de cinema precisarem ficar fechadas por conta do distanciamento social necessário para conter a disseminação do coronavírus.

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