O clássico de 1957 põe em questão a relação entre os valores que orientam o nosso ideário civilizacional e as questões sociais de fundo moral, político e psicológico. Nosso encontro sobre o filme é neste sábado (27/mar), às 16h, via Google Meet. Participe! Inscreva seu email para receber os links especiais, os acessos às salas virtuais e participar das conversas! OS EMAILS são entregues toda quarta-feira.

Nossos encontros virtuais são abertos e gratuitos. Em 2021, eles acontecem sempre aos sábados. Os filmes indicados são assistidos com antecedência e são temas de nossas conversas! Para participar e receber por email os links especiais e as infos de nossos encontros virtuais, cadastre-se! OS EMAILS são entregues toda quarta-feira:

Dúvidas? Entre em CONTATO conosco.


 

NOTA DOS CURADORES

por Fabricio e Mel, cineastas e curadores do Cinematógrafo

O que chamamos modernidade coincide, sintomaticamente, com a era das ideologias. E no tempo das ideologias “é preciso decidir-se sobre o assassinato”, refletiu Albert Camus. Não sobre o assassinato passional, individual. Mas sobre o assassinato institucionalizado, racional. Se matar passa a ter razões, inclusive razões de estado, é preciso assumir as consequências e buscar responder claramente a questão sobre o fundamento dessas razões, pois todos nós tomamos parte nela.

Em “Doze Homens e uma Sentença” (1957), o primeiro filme do profícuo diretor estadunidense Sidney Lumet, doze homens são convocados pelo Tribunal do Júri para decidir o destino de um jovem de dezoito anos, acusado de um crime hediondo: matar o próprio pai. Há uma regra básica para o veredito: os doze homens devem determinar, por unanimidade, se o jovem é culpado ou inocente. Em caso de dúvidas ou discordância entre eles, prevalecerá a presunção de inocência. Logo no início, o juiz adverte sobre a enorme responsabilidade que os jurados estão assumindo, lembrando a gravidade da pena a ser aplicada no caso de condenação: a pena de morte.

Para além da questão jurídica institucional que se instala à primeira vista, “Doze Homens e uma Sentença”, originalmente uma peça feita para a televisão escrita por Reginald Rose e dirigida por Franklin Schaffner (foi ao ar em 1954 nos EUA), põe em questão a relação entre os valores que orientam o nosso ideário civilizacional e as questões sociais de fundo moral, político e psicológico que atuam nos níveis individual social. O que está em jogo quando se tem a responsabilidade de julgar o valor da vida do outro, respaldado pelo manto da legalidade e pela reivindicação de valores humanistas?

No filme, amparados no discurso da responsabilidade cidadã, os jurados substanciam seus julgamentos, de forma consciente ou não, de boa vontade ou não, a partir de seus próprios preconceitos, interesses pessoais e até traumas individuais, que emergem de um substrato social e cultural carregado de racismo, xenofobia e moralismo. Cabe ao jurado 8, interpretado soberbamente por Henry Fonda, pôr em questão as certezas impensadas que resultam de automatismos apressados, e trazer para o primeiro plano a responsabilidade da reflexão para a tomada de decisões vitais em nome da sociedade.

Uma outra frente de discussão pode ser acionada pelo filme de 1957: ele pode ser visto em analogia com a era dos ambientes digitais e os frequentes ímpetos de denuncismo, moralismo e embates políticos polarizados que grassam nas redes sociais e que não raro descambam para sanhas acusatórias e punitivistas e, no limite, acabam em “linchamentos virtuais” ou cancelamentos simbólicos de indovíduos, com consequências e proporções devastadoras para a vida de pessoas acusadas e lançadas ao escracho público sem qualquer possibilidade de defesa. Em casos assim, pela própria tendência amplificadora das redes sociais, inexiste qualquer parâmetro ou marco para se verificar sequer a veracidade das acusações. Esse tema se liga àquele da era das ideologias em que a razão política se converte, em certos contextos, em um esforço discursivo de negação do outro.

“Doze Homens e uma Sentença” é um clássico, um caso raro de primeiro filme de um diretor que se torna obra-prima celebrada por críticos e cinéfilos. O filme foi indicado a três Oscars (Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Roteiro), além de ter ganhado o Leão de Ouro no Festival de Berlim, em 1957. A sua atualidade, entretanto, é incontornável.


PARTICIPE!

Assista ao filme até sábado (20/MAR) e participe do nosso 77º Encontro Virtual Cinematógrafo e Saladearte. Os curadores Mel e Fabricio vão introduzir a conversa e depois abrir à participação do público. Venha compartilhar suas impressões conosco.

Inscreva seu email para receber os e-mails de nossos encontros, com links e infos. Os e-mails são entregues nas quartas-feiras e os encontros acontecem sempre nas tardes de sábado. A participação é gratuita, aberta a contribuições voluntárias.

ENCONTROS VIRTUAIS

Os Encontros Virtuais Cinematógrafo e Saladearte, em 2021, passam a acontecer nas tardes de sábado, sempre às 16h. Os encontros vêm acontecendo desde o início da quarentena, sempre com um filme diferente sugerido pelos curadores do Cinematógrafo, os cineastas Camele Queiroz e Fabricio Ramos, e que pode ser visto online, em casa, a qualquer hora antes do encontro. As conversas acontecem via Google Meet e são participativas. A ação é gratuita, aberta e não tem fins comerciais.

Acompanhem o Instagram e Facebook do Cinematógrafo para ficar por dentro de nossa programação de Encontros Virtuais, que acontecerão durante todo o período em que as salas de cinema precisarem ficar fechadas por conta do distanciamento social necessário para conter a disseminação do coronavírus.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s