No sábado (10), os nossos encontros virtuais Cinematógrafo e Saladearte ganham uma nova proposta: vamos nos demorar mais um pouco em cada filme e nos aprofundarmos um pouco mais em seus mistérios.

Aos sábados, vamos conversar livremente sobre as relações do tema do filme com a vida, a arte, a política. Na quarta, retomamos o mesmo filme de sábado e vamos conversar sobre os aspectos formais (linguagem e estética), ou seja, a carpintaria cinematográfica que constrói os sentidos de cada filme. Cada filme proposto pela curadoria, assim, será tema de nossos encontros no sábado e na quarta seguinte. Vamos ao 51º Encontro Virtual Cinematógrafo:

Nossos encontros virtuais acontecem às quartas e aos sábados. Os filmes indicados são assistidos com antecedência e são temas de nossas conversas! Para participar e receber por email os links especiais e as infos de nossos encontros virtuais, cadastre-se:

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51º Encontro Virtual Cinematógrafo:

Vamos (re)começar com um filme marco da História do Cinema: “Hiroshima Mon Amour” (1959), de Alain Resnais, com texto de Marguerite Duras. Iniciando a nova proposta dos nossos encontros virtuais, no sábado (10), às 16h, vamos conversar livremente sobre temas que o filme evoca, relacionando-os a aspectos da vida, da arte, da política. Na quarta (14), 19h30, retomamos o filme para conversar sobre questões propriamente cinematográficas. A cada semana, um filme! A cada filme, dois encontros! “Hiroshima Mon Amour” está disponível na Plataforma Looke.com.br.

NOTA DOS CURADORES

Um filme revolução

O cinema vive de revoluções. Alain Resnais (1922-2014), um dos nomes mais importantes do cinema, promoveu um salto nessa história de reinvenções. Em 1955, Resnais já havia realizado “Noite e Neblina”, visto como um dos documentários mais importantes sobre a Segunda Guerra Mundial. Em 1959, aparece “Hiroshima Mon Amour”, com texto da escritora e cineasta Margerite Duras. Em 1961, em parceria com o também escritor e cineasta Alain Robbe-Grillet, um dos principais expoentes do nouveau roman, realiza “O Ano passado em Marienbad”. Hiroshima e Marienbad, para muitos críticos e estudiosos, são as duas maiores obras do cinema moderno, fundindo a Poética da memória, que marca as obras de Resnais, com a própria renovação da potência expressiva da arte cinematográfica.

“Hiroshima Mon Amour”, que poderia ser visto como um ensaio poético visual e um experimento de impacto político, ou mesmo uma simbólica história de amor, opera, em sua forma, a destruição do processo fabulístico e dilui ou desvirtua qualquer referencial demarcador da linguagem do cinema convencional. O filme, que traz Emanuelle Riva (já a vimos em “Amour”) em sua primeira e mais célebre performance no cinema, transcorre como um acontecimento rítmico-visual, cuja aparência naturalista é confrontada com a fragmentação do real. As imagens ganham a potência da autonomia e, do conjunto de frações estéticas e imagéticas heterogêneas, resulta o nexo estrutural semântico que torna o filme uma experiência única e profundamente impactante.

A estrutura formal em “Hiroshima Mon Amour”, portanto, não está à serviço de uma ordenação temática ou narrativa pré-estabelecidas. A política do filme não se aloca restritamente no seu tema, mas é a própria estratégia da operação artística. A subversão da dialética entre ficção e realidade não suspende o real nem a ficção, mas recria e nos propõe uma senso de realidade próprio.

“Hiroshima Mon Amour” oferece, em seu conjunto, todo um universo de sugestões impregnadas de memória, imagens, sons e uma temporalidade própria. Fiel ao seu tempo (o século do cinema, o século das catástrofes), o filme ultrapassa seus limites e, em mais um salto da história cultural, reposiciona o cinema enquanto arte à altura da problemática ontológica e política do mundo. Um cinema revolução!

Por Fabricio e Mel, cineastas e curadores do Cinematógrafo na Saladearte.


 

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ENCONTROS VIRTUAIS

Os Encontros Virtuais Cinematógrafo e Saladearte Daten acontecem nas tardes de sábado e nas noites de quarta desde o início da quarentena, sempre com um filme diferente sugerido pelos curadores do Cinematógrafo, os cineastas Camele Queiroz e Fabricio Ramos, e que pode ser visto online, em casa, a qualquer hora antes do encontro. As conversas acontecem via Google Meet e são participativas. A ação é gratuita, aberta e não tem fins comerciais.

Acompanhem o Instagram e Facebook do Cinematógrafo para ficar por dentro de nossa programação de Encontros Virtuais, que acontecerão durante todo o período em que as salas de cinema precisarem ficar fechadas por conta do distanciamento social necessário para conter a disseminação do coronavírus.

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