“A Língua das Mariposas” (Espanha, 1999), de José Luis Cuerda, é o filme sobre o qual conversaremos neste sábado (22), às 16h, no 38º Encontro Virtual Cinematógrafo e Saladearte Daten.

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NOTA DOS CURADORES

Comovente drama que se desenrola em meio ao ódio e tirania, evocando a inocência perdida e a dignidade humana.

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“Esses jovens fascistas não nasceram para ser fascistas”, respondeu Pasolini a Italo Calvino, em uma polêmica sobre os jovens infelizes em que Calvino teria dito: “Os jovens fascistas de hoje, eu não os conheço nem espero ter ocasião de conhecê-los”. Para Pasolini, ao contrário, talvez “uma simples experiência diversa na sua vida, apenas um simples encontro, tivesse bastado para que seu destino fosse outro”.

Em “La Lengua de las Mariposas” (Espanha, 1999), filme de José Luís Cuerda, Moncho (Manuel Lozano), um menino de sete anos, tem um primeiro encontro desses com um velho professor, Don Gregorio (Fernando Fernán-Gomes) que — talvez — mude a sua vida.

A história narra a relação de Moncho com seu professor, ambientada num povoado galego em 1935, durante os meses que antecedem a eclosão da atroz guerra civil espanhola – que assolaria aquele país de 1936 a 1939, resultando no regime fascista de Franco – num ambiente impactado pela extremada polarização entre a ampla frente republicana (da qual participaram também anarquistas e comunistas) e as falanges nacionalistas conservadoras e religiosas.

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Moncho descobre um mundo inteiro de pequenos milagres e conflitos quando passa a freqüentar a escola. Afastando-se por algumas horas de seu círculo familiar, ele vivencia descobertas inquietantes e encantadoras que perturbam o peso do conservadorismo que o rodeia. O velho mestre, Don Gregorio, que às vezes parece um tanto desencantado, recobra a confiança quando encontra seus alunos na sala de aula e os estimula a pensar livremente, atrevendo-se a levar os seus alunos para fora dos muros da escola para que pudessem contemplar mais de perto a natureza.

Sob a tensão da iminente guerra civil, entretanto, os conflitos políticos atravessam o cotidiano do vilarejo e afetam as relações entre as pessoas, instalando a desconfiança, o medo e o ódio que desembocarão em drama e tragédia. Em meio ao clima de julgamentos e acusações, o professor Don Gregorio, junto com outras pessoas do vilarejo, passa a ser atacado por ser considerado um inimigo do emergente regime fascista.

Filme encantador, de forma singela e narrativa sensível, comove com o drama que se desenrola em meio ao ódio e tirania, a inocência perdida e a dignidade humana.

A atualidade das questões que o filme evoca, entretanto, ultrapassa as narrativas das grandes ideologias e o extremismo das guerras, valorizando aspectos menos evidentes, como os efeitos da conformação social, a importância da presença familiar, o papel sensível do professor, as potencialidades da música e da arte, as implicações íntimas e psicológicas das pressões de grupos sociais.

Baseado no livro “Qué me quieres, amor?” do escritor espanhol Manuel Rivas, “La Lengua de las Mariposas” foi indicado a 13 prêmios Goya (o Oscar espanhol), vencendo o de roteiro adaptado. O diretor José Luís Cuerda, além de cineasta, atuou como produtor de vários filmes de sucesso, entre eles Morte ao Vivo (1996), Abre los ojos (1997) e o suspense Os Outros (2001), todos dirigidos por Alejandro Amenábar, cineasta que, de certo modo, foi descoberto por Cuerda.

Por Mel e Fabricio, cineastas e curadores do Cinematógrafo.


Vamos conversar sobre “A Língua das Mariposas” neste sábado (22), no 38º Encontro Virtual Cinematógrafo e Saladearte Daten, que começa às 16h e acontece via Google Meet. Assista ao filme até e participe!

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ENCONTROS VIRTUAIS

Os Encontros Virtuais Cinematógrafo e Saladearte Daten acontecem nas tardes de sábado e nas noites de quarta desde o início da quarentena, sempre com um filme diferente sugerido pelos curadores do Cinematógrafo, os cineastas Camele Queiroz e Fabricio Ramos, e que pode ser visto online, em casa, a qualquer hora antes do encontro. As conversas acontecem via Google Meet e são participativas. A ação é gratuita, aberta e não tem fins comerciais.

Acompanhem o Instagram e Facebook do Cinematógrafo para ficar por dentro de nossa programação de Encontros Virtuais, que acontecerão durante todo o período em que as salas de cinema precisarem ficar fechadas por conta do distanciamento social necessário para conter a disseminação do coronavírus.

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