Iluminacja (1973) acompanha a educação de um jovem adulto, desde sua entrada na universidade até o doutorado, ao mesmo tempo em que acompanha sua formação interior, seu aprendizado sobre a vida, família, sexualidade e valores morais e espirituais. Vamos conversar sobre o filme no 45º Encontro Cinematógrafo e Saladearte Daten, nesta quarta (16/set), às 19h30, via Google Meet.

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NOTA DOS CURADORES
Iluminação (Iluminacja), de Krzysztof Zanussi

Iluminacja (1973) acompanha a educação de um jovem adulto, desde sua entrada na universidade até o doutorado, ao mesmo tempo em que acompanha sua formação interior, seu aprendizado sobre a vida, família, sexualidade e valores morais e espirituais.

Na primeira cena de Iluminacja, filme do cineasta polonês Krzysztof Zanussi, um filósofo (Władysław Tatarkiewicz, 1886–1980) aparece discorrendo sobre o significado do termo “iluminação”, destacando os sentidos místicos do termo ao longo da história do pensamento. A cena funciona como um prólogo para a metáfora que o filme explora. Um prólogo no sentido em que Borges considerava o termo, dando-lhe uma importância particular: não uma mera apresentação, mas um instrumento para entrever o conjunto de relações que a obra mantém com o mundo. A metáfora que o filme explora se liga à iluminação como “claridade” da razão, um amor à luz tensionado, de forma irônica, pela angústia existencial e pela “construção de si” diante do mundo.

O enredo de Iluminacja, aliás, segue uma estrutura simples: acompanha o início da vida adulta do protagonista, o estudante de física Franciszek, desde o seu ingresso na Universidade até o desenvolvimento de sua tese de doutorado, tempo atravessado por aprendizados sobre a vida e angústias diversas relacionadas aos temas da família, da sexualidade e dos valores morais e espirituais.

Em Iluminacja, a existência de Franciszek acontece como uma experiência que integra diferentes níveis de realidade: o científico, o filosófico e o político, que no filme se expressa na forma como Franciszek busca se situar no espaço público como um ser pensante.

O diretor Krzysztof Zanussi, que se dedicou ao estudo da física e, depois, da filosofia para enfim se voltar para o cinema, propõe — podemos especular — que o espaço público é também um âmbito espiritual, no interior do qual se manifesta o que os romanos denominaram humanitas, entendendo por isso a qualidade própria do humano, válida sem precisar ser objetiva. O jovem Franciszek atravessa o filme em busca dessa humanitas, ou de sua própria humanidade, ou da Humanität, no sentido em que Kant usou o termo, dando-lhe o significado de personalidade válida, adquirida na aventura da sociabilidade.

De fato, Franciszek sente a perda de um amigo que morre durante um procedimento clínico, vivencia a paixão, o casamento e seus conflitos, sofre o drama das limitações materiais, tudo isso ao tempo em que busca a verdade, uma síntese para compreender o cosmo, a iluminação. Cada nova situação de sua vida abre um amplo espaço para pensamentos filosóficos entremeados com passagens que dão ao filme um caráter ensaístico que aborda questões sobre ciência, arte e sobre o que é viver entre a razão, a incompletude, a paixão e a consciência da morte.

Trata-se de questões caras a Krzysztof Zanussi e que se manifestam ao longo de sua filmografia. Expoente da nowa fala, a nouvelle vague polonesa, Zanussi conquistou prestígio internacional já com seu primeiro longa metragem, “A estrutura do cristal” (1969), que reflete sobre os limites da ciência e sobre relações humanas mediadas pelo conhecimento científico, apresentando personagens de visões de mundo diversas e de sensibilidades contrastantes.

Fundamentalmente, Zanussi, através de Franciszek, se coloca e nos coloca a questão: “qual a substância primordial que deve orientar a nossa vida individual e a nossa relação com o mundo e com as nossas paixões”?

O próprio diretor afirmou que o título do filme deve ser tomado como uma ironia, mas isso não traduz a singularidade do filme que, em seu caráter ensaístico e forma experimental, se revela mais como um registro de um fluxo de pensamento do que como uma história dramática. Atravessado por vários discursos (científico, clínico, religioso e político), Iluminacja, ao modo de um prisma, refracta a sua luz na tela do cinema refletindo uma abundância de ideias e visões de mundo que ultrapassa muito o teor irônico, embora não prescinda dele.

Iluminacja teve uma recepção calorosa de público e crítica, ganhando o Leopardo de Ouro do Festival de Locarno de 1973. Sua forma singular, mesclando experimentalismo com delicadeza e simplicidade, encorajou outros artistas experimentais, como Alain Resnais ou Sławomir Shuty, a continuar suas explorações artísticas. Diante de tal experiência de cinema, o público é instado a transitar do mundo das ideias à esfera do pensamento, vendo-se forçado a buscar suas próprias respostas e mesmo suas próprias questões sobre a vida e o mundo.

por Fabricio e Mel, cineastas e curadores do Cinematógrafo


Vamos conversar sobre o belo filme de Zanussi no 45º Encontro Virtual Cinematógrafo e Saladearte Daten, nesta quarta (16/set), às 19h30.

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ENCONTROS VIRTUAIS

Os Encontros Virtuais Cinematógrafo e Saladearte Daten acontecem nas tardes de sábado e nas noites de quarta desde o início da quarentena, sempre com um filme diferente sugerido pelos curadores do Cinematógrafo, os cineastas Camele Queiroz e Fabricio Ramos, e que pode ser visto online, em casa, a qualquer hora antes do encontro. As conversas acontecem via Google Meet e são participativas. A ação é gratuita, aberta e não tem fins comerciais.

Acompanhem o Instagram e Facebook do Cinematógrafo para ficar por dentro de nossa programação de Encontros Virtuais, que acontecerão durante todo o período em que as salas de cinema precisarem ficar fechadas por conta do distanciamento social necessário para conter a disseminação do coronavírus.


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