“Mulholland Dr.” (2001), de David Lynch, é o filme tema de nossos 63º e 64º Encontros Virtuais Cinematógrafo e Saladearte. O primeiro, neste sábado (28), às 16h. O outro, na quarta (2), às 19h30, sempre via Google Meet.

Nossos encontros virtuais são abertos e gratuitos. Eles acontecem às quartas e aos sábados. Os filmes indicados são assistidos com antecedência e são temas de nossas conversas! Para participar e receber por email os links especiais e as infos de nossos encontros virtuais, cadastre-se:

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NOTA DOS CURADORES

Uma experiência onírica carregada de cores, sons, luz e sombras.

David Lynch é um dos nomes mais conhecidos do cinema autoral estadunidense. O cineasta estudou Pintura e é músico ocasional, mas a vocação cult de seus filmes o consolidou como um artista polêmico, de estilo único, associado ao surrealismo impregnado pela atmosfera ‘noir’ e carregado de suspense psicológico.

“Mulholland Drive”, de 2001, é inegavelmente um clássico contemporâneo. Nomeado de “Cidade dos Sonhos” no Brasil, o filme sintetiza o estilo “lynchiano”, mas esta é a única síntese possível que podemos extrair do filme. Tudo o mais nele é complexo, sensorial e inexplicável. O efeito de ver ‘Mulholland Drive’ é, por assim dizer, expansivo.

A trama começa girando em torno de Diane (Naomi Watts), uma jovem atriz que chega a Los Angeles sonhando com o estrelato. Mas a trama é apenas mais um signo em um filme de signos. Uma vez que entremos na trama de signos de ‘Mulholland Drive’, teremos de fazer escolhas: ou aceitar a deriva onírica do mesmo modo em que o fazemos nos sonhos, ou cair numa extenuante espiral de busca de sentidos diante de uma narrativa cheia de suspense e mistério, beleza e horror, repleta de signos que, se sugerem alguma história, é mais para perturbar – a cada cena – o nosso esforço de estabelecer conexões lógicas. Todo o filme é o transcorrer de uma experiência onírica carregada de cores, sons, luz e sombras.

Pois não há propriamente uma trama, mas enredos misteriosos que transcorrem em meio da atmosfera ‘noir’ e de uma paisagem, em tudo, Hollywoodiana. “Mulholland Drive” pode ser visto como um perturbador estudo de personagem ou como uma crítica de teor psicológico dirigida aos aspectos sombrios da própria indústria do cinema. Tudo isto está lá. Mas o apelo às emoções (sobretudo pelo magistral desenho sonoro e envolvente trilha musical), as cores vivas e as ameaças da escuridão, a evocação de símbolos e a intrusão constante da incerteza, do inesperado e mesmo de alguma coisa de absurdo, tornam o filme algo mais do que uma experiência estética. No final, saímos dele sem que ele saia de nós. O filme permanece em nossa memória como um daqueles sonhos estranhos, inquietante e belos de que jamais esquecemos.

David Lynch, por “Mulholland Drive”, foi indicado ao Prêmio de Melhor Diretor tanto em Cannes quanto no Oscar de 2001. O diretor já era célebre desde “O Homem Elefante”, seu primeiro sucesso comercial, e do neo-noir “Blue Velvet”, que tem Isabela Rosselini no elenco. Mas foi “Twin Peaks” e a personagem Laura Palmer que consolidaram o sentido de “lynchiano” como um universo perturbador, surreal e onírico, que nos insta a imaginar o inconsciente, se for isso possível. Bem-vindos à Cidade dos Sonhos.

Por fabricio e mel, cineastas e curadores do Cinematógrafo


 

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ENCONTROS VIRTUAIS

Os Encontros Virtuais Cinematógrafo e Saladearte Daten acontecem nas tardes de sábado e nas noites de quarta desde o início da quarentena, sempre com um filme diferente sugerido pelos curadores do Cinematógrafo, os cineastas Camele Queiroz e Fabricio Ramos, e que pode ser visto online, em casa, a qualquer hora antes do encontro. As conversas acontecem via Google Meet e são participativas. A ação é gratuita, aberta e não tem fins comerciais.

Acompanhem o Instagram e Facebook do Cinematógrafo para ficar por dentro de nossa programação de Encontros Virtuais, que acontecerão durante todo o período em que as salas de cinema precisarem ficar fechadas por conta do distanciamento social necessário para conter a disseminação do coronavírus.

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