“A Cidade é uma Só” (2011), de Adirley Queirós, é o filme tema do 83º Encontro Virtual Cinematógrafo e Saladearte, que acontece neste sábado (1/mai), às 16h, como sempre, via Google Meet.

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Nossos encontros virtuais são abertos e gratuitos. Em 2021, eles acontecem sempre aos sábados. Os filmes indicados são assistidos com antecedência e são temas de nossas conversas! Para participar e receber por email os links especiais e as infos de nossos encontros virtuais, cadastre-se! OS EMAILS são entregues toda quarta-feira:

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NOTA DOS CURADORES

Por fabricio e mel, cineastas e curadores do Cinematógrafo

“A Cidade é uma Só?” (2011) é um filme de Adirley Queirós, cineasta de trajetória incomum, já que foi jogador de futebol, atuando como volante em times pequenos do Distrito Federal e só mais tarde se aproximou do cinema. Filme lúdico e híbrido, seu primeiro longa de destaque traz as marcas de seu cinema: acontece na Ceilândia, cidade-satélite onde vive o diretor, e retoma a história da cidade para colocar em questão aspectos fundamentais da realidade social e política do Brasil atual.

O catártico e distópico (e realista!) “Branco Sai, Preto Fica” (2014) retoma um episódio de repressão e violência policial contra um baile de black music na Ceilândia. Já em “A Cidade é uma Só?”, Adirley recupera a história da formação mesma da cidade-satélite, resultante de um processo de remoção forçada e de exclusão social na capital federal.

O filme acompanha três personagens. Nancy é cantora e, quando criança, ela participou de um coral infantil formado de crianças recrutadas nas escolas locais, que cantou o jingle da campanha de remoção de favelas de Brasília nos anos 1970, a Campanha de Erradicação de Invasões (cuja sigla CEI está na origem do nome Ceilândia). Nancy busca registros (documentos, imagens) de sua participação na campanha que afetou a ela mesma e sua família, que foi removida de uma favela de Brasília para a cidade satélite. Os outros dois personagens são Dildu, um irreverente candidato em precária campanha para o cargo de deputado distrital pelo PCN, Partido da Correria Nacional. E seu cunhado, um negociante de lotes e terrenos na Ceilândia.

Livre de qualquer rigidez conceitual em torno do dito cinema documentário, “A Cidade é uma Só?” mistura personagens reais e ficcionais, documentos e invenção, para contar, através da experiência de Nancy, a história da Ceilândia, enquanto a história mesma acontece, como vemos na perambulação de Dildu e nas transações incertas de seu cunhado. A geografia da cidade periférica é loteada, seu crescimento desordenado e a especulação imobiliária avança. A vida corpórea e concreta da Ceilândia cidade-satélite contrasta com a abstração e desumanização da capital federal, marcada por grandes espaços vazios.

Se as pessoas foram removidas de Brasília para dar lugar ao vazio, esse vazio, por sua vez, simboliza o próprio esvaziamento do discurso da “representação” que traduz o sistema político no qual Dildu busca se infiltrar, para representar as questões históricas e sociais da Ceilândia. A Campanha de Dildu é orgânica, enraizada na vida da cidade. Mas o próprio enraizamento é também a sua limitação: numa cena emblemática, Dildu, em sua andança, se depara com outra campanha eleitoral, enorme, a campanha do poder que representa Brasília, a capital vazia.

“A Cidade é uma Só?” transforma em pergunta o verso afirmativo daquela campanha de remoção. Afinal, o filme é múltiplo como a cidade. É um filme de instantes, de situações prosaicas ligadas aos sonhos e à memória que se confrontam com a realidade material do Brasil, essa enorme Ceilândia?


PARTICIPE!

Assista ao filme até sábado (1/mai) e participe do nosso 83º Encontro Virtual Cinematógrafo e Saladearte. Os curadores Mel e Fabricio vão introduzir a conversa e depois abrir à participação do público. Venha compartilhar suas impressões conosco.

Inscreva seu email para receber os e-mails de nossos encontros, com links e infos. Os e-mails são entregues nas quartas-feiras e os encontros acontecem sempre nas tardes de sábado. A participação é gratuita, aberta a contribuições voluntárias.

ENCONTROS VIRTUAIS

Os Encontros Virtuais Cinematógrafo e Saladearte, em 2021, passam a acontecer nas tardes de sábado, sempre às 16h. Os encontros vêm acontecendo desde o início da quarentena, sempre com um filme diferente sugerido pelos curadores do Cinematógrafo, os cineastas Camele Queiroz e Fabricio Ramos, e que pode ser visto online, em casa, a qualquer hora antes do encontro. As conversas acontecem via Google Meet e são participativas. A ação é gratuita, aberta e não tem fins comerciais.

Acompanhem o Instagram e Facebook do Cinematógrafo para ficar por dentro de nossa programação de Encontros Virtuais, que acontecerão durante todo o período em que as salas de cinema precisarem ficar fechadas por conta do distanciamento social necessário para conter a disseminação do coronavírus.

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