“O Ódio” é o filme tema do 23º Encontro Cinematógrafo e Saladearte Daten. Nesta quarta (1/7), às 19h30, via Google Meet. Cadastre seu email: clique aqui.

20200628_112123_0000ASSISTA AO FILME (ative as legendas): link especial “O Ódio”.

Link expira na quinta (2/jul), a meia-noite.

“O Ódio”, de Mathieu Kassovitz. Drama. 1h35min. P&B. França. 1995.

 

Nota dos curadores do Cinematógrafo

Entre o ódio e a esperança de viver, o drama juvenil dos três amigos reflete menos a revolta do que a impossibilidade da revolta.

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Mathieu Kassovitz tinha 28 anos quando dirigiu La Haine (O Ódio) em 1995. O filme segue, ao longo de 24 horas pelas ruas de Paris, o itinerário de três jovens parisienses, Vinz (Vincent Cassel), Hubert (Hubert Koundé) e Said (Said Taghmaoui), o primeiro de ascendência judaica, o segundo de ascendência africana e o terceiro de origem árabe.

Um trio de amigos que expressa um distópico melting pot de sobreviventes das sociedades pós-industriais imersos na crise do estado nação. Trata-se de um filme sobre jovens, mas também de um filme, em si, jovem, preocupado com os contextos imediatos de seu tempo e lugar: os distúrbios urbanos que incendiaram Paris em 1991 compõem o eixo temático do filme.

Vinz, Hubert e Said (note-se que os três atores emprestam seus nomes reais aos personagens), vivem o cotidiano de seu bairro periférico onde, durante os distúrbios recentes, um jovem morreu vítima da violência da repressão policial. Inconformado com a situação, Vinz tenta convencer Hubert e Said de que algo precisa ser feito para mostrar ao estado e à polícia que eles “não estão para brincadeira”.

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Em sua deriva por uma Paris geograficamente demarcada pelas tensões entre centro e periferia, as peripécias dos três jovens traduzem, em contraste com a crescente e imediata ameaça da violência, um esforço desesperado de acreditar numa vida digna. Entre o ódio e a esperança de viver, o drama juvenil dos três amigos reflete menos a revolta do que a impossibilidade da revolta.

A temática urgente em 1995, que mantém a mesma urgência hoje, aliada ao dinamismo formal – “O Ódio” é soberbamente filmado – e à fotografia em preto-e-branco, sugerem uma vontade documental de Kassovitz, que realiza um filme realista, político e que tem o êxito de não incorrer em panfletarismos.

O ritmo enérgico reflete o olhar inquieto da juventude. A narrativa temporalmente linear (há um relógio que sempre retorna a mostrar as horas), não narra algum mote sobre a vida, mas nos torna cúmplices de um filme que acontece com a vida – ele não a transfigura, ele a expande no interior dos limites do cinema.

Por fabricio ramos e camele queiroz

O Cinematógrafo é uma ação dos cineastas Fabricio Ramos e Camele Queiroz em parceria com o Circuito de Cinema Saladearte.

Para receber por email os links de nossos encontros, cadastre seu email: clique aqui.  e/ou acompanhe as nossas redes sociais no Instagram e Facebook.

OS ENCONTROS CINEMATÓGRAFO e SALADEARTE DATEN

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Enquanto as sessões do Cinematógrafo no Circuito de Cinema Saladearte estão suspensas por conta do distanciamento social imposto pelo coronavírus, a Saladearte Cine Daten, junto com os curadores do Cinematógrafo – os cineastas Camele Queiroz e Fabricio Ramos – vão promover encontros virtuais para conversar sobre filmes que serão propostos e podem ser vistos online.

A cada semana, os curadores indicarão nas redes sociais do Cinematógrafo e do Circuito Saladearte um filme para ser visto online, em casa! Os bate-papos virtuais sobre os filmes acontecem sempre aos sábados (16h) e às quartas (19h30), na plataforma Google Meet, com mediação dos próprios curadores. A dinâmica é participativa.

O público interessado pode se cadastrar no breve formulário online para receber por email o link de acesso aos encontros virtuais: acesse o formulário.

Ou acompannhar no Instagram e Facebook do Cinematógrafo a programação durante toda o período em que as salas de cinema precisarem ficar fechadas por conta do distanciamento social necessário para conter a disseminação do coronavírus.

 

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