Em “Juízo” (2007), acompanhamos o dia a dia de um Tribunal de Infância e Juventude do Rio, teatro da discrepância entre o discurso dos princípios legais e a prática cotidiana que, estruturalmente, contradiz esses discursos. Nosso encontro sobre o filme é neste sábado (3/abril), às 16h, via Google Meet.

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NOTA DOS CURADORES

Por fabricio e camele, cineastas e curadores do Cinematógrafo

Maria Augusta Ramos é documentarista. Sua filmografia se reporta à realidade social e política brasileira. O método documental característico da diretora, entretanto, projeta nos seus filmes um ponto de vista singular que, em “Juízo”, filme de 2007, nubla as fronteiras do cinema documentário.

Em 2004, Maria Ramos realizou “Justiça”, documentário de matiz observacional que lança um olhar crítico sobre a relação dissimulada entre discurso e prática no âmbito da institucionalidade jurídica e penal no Brasil.

Em “Juízo”, que aparece em 2007, acompanhamos o dia a dia de um Tribunal de Infância e Juventude do Rio, onde menores infratores têm seus destinos decididos pela máquina do Judiciário. O filme é revelador: a discrepância entre o discurso dos princípios legais e a prática cotidiana que, estruturalmente, contradiz esses discursos.

Questões como as relações entre Estado e Sociedade afloram, mas o olhar ampliado à rotina de um tribunal para adolescentes, aliado ao artifício escolhido pela diretora para abordar aquele contexto, lançam luz sobre questões mais fundamentais. Esse artifício, revelado de saída no filme, é a substituição dos adolescentes infratores reais por atores, já que os menores que são julgados não podem, por lei, ter a sua imagem divulgada. As fronteiras do gênero documental são tensionadas e adensam as fronteiras das ideologias que conformam e dissimulam a iniquidade radical de nossa ordem social.

Olhares apressados podem ver nos filmes de Maria Augusta Ramos, em especial em “Justiça” e em “Juízo”, aproximações com o cinema observacional ou pretensões de cinema verdade. De fato, a marca autoral não é enfatizada e a presença da câmera é dirimida. Aparentes moderações que funcionam também como artifícios: o espectador é instado a “presenciar”, através da abordagem crítica da diretora, as contradições de uma sociedade que exige “moralidade” dos adolescentes, sendo ela mesma, por seus próprios parâmetros discursivos, “imoral”.

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