Neste sábado (18/set), vamos ao nosso 101º Encontro Virtual Cinematógrafo e Saladearte. Será às 16h, via Meet. Participe! Inscreva seu email para receber os links especiais, os acessos às salas virtuais e participar das conversas! OS EMAILS são entregues toda quarta-feira.

Nossos encontros virtuais são abertos e gratuitos e acontecem sempre aos sábados. Os filmes indicados são assistidos com antecedência e são temas de nossas conversas! Para participar e receber por email os links especiais e as infos de nossos encontros virtuais, cadastre-se! OS EMAILS são entregues toda quarta-feira:

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📒 NOTA DOS CURADORES

Eduardo Coutinho fez parte da geração que criou o Cinema Novo para, depois, deslocar o lugar e o pensamento do documentário no cinema brasileiro. Ao longo de sua trajetória, desde o CPC da UNE, passando pela experiência do Globo Repórter, até os seus últimos filmes, Coutinho foi inventando, com simplicidade técnica e um jeito próprio de se fazer presente nas filmagens, o seu modo de fazer e pensar o Cinema. De fato, fazer um cinema que se pensa a si mesmo enquanto acontece.

“Cabra Marcado Para Morrer” (1984) demorou vinte anos para ser concluído e, obra essencial do Cinema brasileiro, assenta uma pedra fundamental que redireciona o estilo do cinema documental, subvertendo e deslocando conceitos e pressupostos em torno desse método criativo que lança o cinema no fluxo do real, às invenções narrativas da história e aos impasses dos registros das lutas políticas e sociais.

Inicialmente pensado como um filme de ficção que teria personagens reais em seus próprios papeis, o “Cabra…” dramatizaria a luta das Ligas Camponesas na Paraíba, cujo líder João Pedro Teixeira foi assassinado em 1962. Elizabeth Teixeira, esposa de João Pedro, interpretaria seu próprio papel, contracenando com camponeses da região que comporiam o resto do elenco. As filmagens começaram em 1964, mas o golpe militar, em 1º de abril, as interrompeu bruscamente. O Exército invadiu o lugar das filmagens, o Engenho Galileia, para prender os camponeses e a equipe do filme. Camponeses foram presos, Elizabeth se tornou clandestina e, por pouco, Coutinho e a equipe conseguiram escapar. Parte do material filmado, por sorte, foi salvo.

Passada a fase do primeiro susto do golpe, Coutinho passa a trabalhar em jornais e, depois, a dirigir reportagens para o programa Globo Repórter, da TV Globo. Mas a experiência de “O Cabra…” o assombrava e ele sentiu que precisava retomar aquela história. É o que ele faz em 1981, quando retorna à Paraíba com a ideia de reencontrar Elizabeth Teixeira e os camponeses que participaram do filme 17 anos antes.

“Cabra Marcado para Morrer” se faz a partir do resgate da memória do passado no tempo presente. Sem se eximir de operar como uma mediação entre a realidade social e histórica brasileira, o filme se vê diante de histórias individuais, de dolorosos dramas pessoais e não homogêneos, que emergem da experiência do próprio filme em relação com a história e a política do país. Cineasta da escuta, Eduardo Coutinho, no intenso processo de pensar o cinema enquanto o faz no meio da tensão do real, se vê instado a se assumir como um dos personagens/sujeitos de seu próprio filme.

O Reencontro com Elizabeth e sua família e com aqueles camponeses cujas vidas, irredutíveis a uma narrativa histórica e política, foram impactadas pela história política, sem dúvida, mas também pelo próprio cinema, exigia de Coutinho posições éticas que acabaram inspirando a estética fulcral de sua concepção de cinema: um cinema que, sem se submeter às imposições técnicas e artifícios estéticos que dominariam o cinema convencional, valoriza a autenticidade do encontro entre o cineasta e sua equipe com diferentes sujeitos da vida comum, enfatizando as singularidades e expressões subjetivas para se contar, através das histórias, uma História.

Por Camele Queiroz e Fabricio Ramos, cineastas e curadores


📌 nossos encontros são abertos e gratuitos.

PARTICIPE!

Assista ao filme até sábado (18/set) e participe do nosso 101º Encontro Virtual Cinematógrafo e Saladearte. Os curadores Mel e Fabricio vão introduzir a conversa e depois abrir à participação do público. Venha compartilhar suas impressões conosco.

Inscreva seu email para receber os e-mails de nossos encontros, com links e infos. Os e-mails são entregues nas quartas-feiras e os encontros acontecem sempre nas tardes de sábado. A participação é gratuita, aberta a contribuições voluntárias.

Dúvidas? Entre em CONTATO conosco.

ENCONTROS VIRTUAIS

Encontros Virtuais, presenças reais!

Os Encontros Virtuais Cinematógrafo e Saladearte vêm acontecendo desde o início da pandemia, sempre com um filme diferente sugerido pelos curadores do Cinematógrafo, os cineastas Camele Queiroz e Fabricio Ramos, e que pode ser visto online, em casa, a qualquer hora antes do encontro. As conversas acontecem via Google Meet e são participativas. A ação é gratuita, aberta e não tem fins comerciais.

Acompanhem o Instagram e Facebook do Cinematógrafo para ficar por dentro de nossa programação de Encontros Virtuais, que acontecerão durante todo o período em que as salas de cinema precisarem ficar fechadas por conta do distanciamento social necessário para conter a disseminação do coronavírus.

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