“Jonas que Terá Vinte e Cinco Anos no Ano 2000”, do diretor suíço Alain Tanner, é o tema do 75º Encontro Cinematógrafo e Saladearte, que acontece neste sábado (6/mar), às 16h, via Google Meet. Participe! Inscreva seu email para receber os links especiais, os acessos às salas virtuais e participar das conversas! OS EMAILS são entregues toda quarta-feira.

Nossos encontros virtuais são abertos e gratuitos. Em 2021, eles acontecem sempre aos sábados. Os filmes indicados são assistidos com antecedência e são temas de nossas conversas! Para participar e receber por email os links especiais e as infos de nossos encontros virtuais, cadastre-se! OS EMAILS são entregues toda quarta-feira:

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NOTA DOS CURADORES

“um filme didático sem lição a ensinar, um filme enciclopédico sem conclusão”. S. Daney

POR FABRICIO RAMOS E CAMELE QUEIROZ

Um filme político que expande o espaço político, fazendo-o transbordar para o poético. Em “Jonas que Terá Vinte e Cinco Anos no Ano 2000”, de 1976, à crítica social e política subjaz o terreno do desejo, que marca o cinema de Alain Tanner, especialmente, dos desejos secretos que irrigam os sonhos dos militantes que sacudiram o mundo em maio de 1968.

A narrativa aparenta ser fragmentária, acompanhando um grupo de personagens dispersos que acabam se encontrando, todos eles, cada um a seu modo, tentando conciliar seus inconformismos e desilusões com as imposições de um sistema-mundo que não reserva lugar para os seus sonhos e desejos. O mundo que se reconfigura após as jornadas de maio de 1968 é o espaço-tempo temático de Alain Tanner, cineasta suíço e um dos nomes essenciais do cinema moderno europeu.

Tanner dedica um olhar, a um só tempo, crítico e cúmplice àquele ativismo inflamado, mas transcende o cinema político ao pensar as consequências daquele ponto de inflexão que foi maio de 68, oferecendo-nos fábulas morais que nos conduzem pelos mundos dos desejos, dos sonhos e da poesia. Serge Daney, um dos críticos que, sintomaticamente, ajudou a reconduzir os Cahiers du Cinéma do dogmatismo ideológico à reflexão do cinema, disse que Jonas… é “um filme didático sem lição a ensinar, um filme enciclopédico sem conclusão”. Daney reflete em sua percepção sobre o filme o mesmo espírito que anima o cinema de Tanner: um entusiasmo que parte de um olhar político ultrapassando seus próprios limites e convocando as múltiplas dimensões da vida. Da vida social, mas também espiritual.

Em “Jonas…”, Tanner não dá lição nem conclusões. Ele oferece o próprio cinema como modo de viver e pensar contra um sistema que cada vez mais se afunda em sua própria ‘ordem’ disruptiva e tecnocrática. O cinema, todavia, canta, encanta e subverte a ordem através da magia da técnica. Faz mais do que uma revolução, diria, talvez, Tanner.

Talvez possamos tecer uma relação entre os contextos dos anos 1960/70 e o nosso próprio ponto de inflexão contemporâneo: as jornadas de junho, que prismaram os movimentos emergentes desde os anos 1990, passando pela primavera árabe, até os desdobramentos eleitorais mais recentes. Alguns de nós somos, justamente, os Jonas que começaram o século XXI com 20 anos… o que é feito de nosso idealismo? De nossos desejos, utopias, teorias?


Assista ao filme até sábado (6/MAR) e participe do nosso 75º Encontro Virtual Cinematógrafo e Saladearte. Os curadores Mel e Fabricio vão introduzir a conversa e depois abrir à participação do público. Venha compartilhar suas impressões conosco.

Inscreva seu email para receber os e-mails de nossos encontros, com links e infos. Os e-mails são entregues nas quartas-feiras e os encontros acontecem sempre nas tardes de sábado. A participação é gratuita, aberta a contribuições voluntárias.

ENCONTROS VIRTUAIS

Os Encontros Virtuais Cinematógrafo e Saladearte, em 2021, passam a acontecer nas tardes de sábado, sempre às 16h. Os encontros vêm acontecendo desde o início da quarentena, sempre com um filme diferente sugerido pelos curadores do Cinematógrafo, os cineastas Camele Queiroz e Fabricio Ramos, e que pode ser visto online, em casa, a qualquer hora antes do encontro. As conversas acontecem via Google Meet e são participativas. A ação é gratuita, aberta e não tem fins comerciais.

Acompanhem o Instagram e Facebook do Cinematógrafo para ficar por dentro de nossa programação de Encontros Virtuais, que acontecerão durante todo o período em que as salas de cinema precisarem ficar fechadas por conta do distanciamento social necessário para conter a disseminação do coronavírus.

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