“Terra em Transe” aparece em 1967 e é o tema de nosso 67º Encontro (e também do 68º, pois vamos nos demorar mais no filme). Estes serão os nossos últimos encontros de 2020! Vamos retornar em 2021. O primeiro encontro é neste sábado (12), às 16h. O segundo é na quarta (16), às 19h, sempre via Google Meet. Inscreva seu email para receber os links especiais, os acessos às salas virtuais e participar das conversas!

Nossos encontros virtuais são abertos e gratuitos. Eles acontecem às quartas e aos sábados. Os filmes indicados são assistidos com antecedência e são temas de nossas conversas! Para participar e receber por email os links especiais e as infos de nossos encontros virtuais, cadastre-se:

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NOTA DOS CURADORES

A luz Atlântica de Glauber

Por Fabricio e Mel, cineastas e curadores do Cinematógrafo

“Terra em Transe” (1967), o terceiro longa de Glauber, ocupa um lugar de fato cultural de impacto definitivo no pensamento estético e político do Brasil. O Cinema Novo devia, no pensamento do cineasta baiano, tomar parte do processo político do país, analisando as contradições geradas pela aliança da ‘burguesia’ nacional com as forças de esquerda para a tomada do poder no Brasil. “Terra em Transe” é o filme que sintetiza essa análise e interpreta o comportamento nacional através da alegoria e do delírio tropical: uma republiqueta, um poeta em crise, um triângulo amoroso, o golpe e o poder contra o povo.

Na República fictícia de Eldorado, o poeta e jornalista Paulo Martins (Jardel Filho), imbuído de um exasperante esforço de transformação social de seu país, se envolve num jogo de esperanças e traições. Seu amigo Porfírio Diaz (Paulo Autran) é um político conservador em ascensão. Paulo se afasta do amigo quando este se torna senador da República e passa a ver em Felipe Vieira (José Lewgoy) um novo líder progressista capaz de encampar as sonhadas transformações. Porém, Vieira se mostra fraco, populista e capturado pelos poderes locais que o financiaram. Desiludido, o poeta mergulha numa espiral desesperada e radical, disposto a ir às últimas consequências para tornar a sua vida uma expressão poética de seu afã revolucionário.

Oscilando entre a estética da fome e do sonho, a alegoria de “Terra em Transe” reflete a fase histórica e política brasileira desde o golpe de 1964 e antecipa 1968, transcendendo poeticamente seu próprio tempo: desde então, tudo mudou, mas ainda somos os mesmos sujeitos agônicos, perplexos, dilemáticos e dilacerados entre a consciência de um mundo em transe e uma estrutura social e política paralisante que nos aliena de nossa própria realidade desafiadora.

Muitos dos elementos formadores do filme vêm de “Citizen Kane” (1941), o clássico de Orson Welles e, diz-se, de Buñuel (em especial de “Os Ambiciosos”, de 1959). O que se destaca na obra tropicalista de Glauber, entretanto, é seu barroquismo que mescla historicismo e mística existencial. O esperançoso desespero do intelectual latino-americano revolucionário se defronta com a natureza política nacional, recuperando o passado, invocando a memória e a crítica do presente e lançando a ideia do futuro.

Em Glauber, a perplexidade existencial se afirma em relação dialética com as forças da historicidade e a consciência agônica de um artista em crise religiosa, filosófica e mesmo geográfica, que conduzem o cineasta em um devir brazyleiro, das praias baianas para os sertões, daí para o Eldorado e então África e Europa. Sua cinematografia, instável e complexa, tem a amplitude das Américas e Áfricas, e exprime dramaticamente seu instante social e existencial, agônico e perplexo diante do projeto político frustrado da nação possível, diante da anunciação de um outro mundo gritado pela poesia.


Nossos encontros são abertos e participativos. O Cinematógrafo vem acontecendo como um refúgio de conversas delicadas e pensamento livre, temas urgentes e fundamentais, espaço de construção de amizades e totalmente aberto a quem chega! Compareçam!

ENCONTROS VIRTUAIS

Os Encontros Virtuais Cinematógrafo e Saladearte Daten acontecem nas tardes de sábado e nas noites de quarta desde o início da quarentena, sempre com um filme diferente sugerido pelos curadores do Cinematógrafo, os cineastas Camele Queiroz e Fabricio Ramos, e que pode ser visto online, em casa, a qualquer hora antes do encontro. As conversas acontecem via Google Meet e são participativas. A ação é gratuita, aberta e não tem fins comerciais.

Acompanhem o Instagram e Facebook do Cinematógrafo para ficar por dentro de nossa programação de Encontros Virtuais, que acontecerão durante todo o período em que as salas de cinema precisarem ficar fechadas por conta do distanciamento social necessário para conter a disseminação do coronavírus.

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