Alain Resnais completaria cem anos neste mês de junho! Em homenagem ao centenário do autor, o Cinematógrafo – Cine Cineasta faria o ciclo Alain Resnais, que foi suspenso por motivos de força maior. Aguardem informações sobre a possível realização da mostra em momento posterior.

Alain Resnais

Alain Resnais (1922-2014) ficou conhecido como um “discreto revolucionário” do cinema. Seu primeiro longa, o célebre “Hiroshima, Meu Amor” (1959), foi associado ao movimento e ao momento da Nouvelle Vague. Mas Resnais o antecede, tendo realizado importantes curtas-metragens desde a década de 1940, incluindo uma série de curtas-metragens documentais mostrando artistas trabalhando em seus estúdios. Dessa época, vêm o seu curta “Van Gogh”, vencedor do Oscar, que participa do nosso ciclo.

Hiroshima, juntamente com “O Ano Passado em Marienbad” (1961), consolidaram a sua reputação de cineasta ligada aos dois principais temas de sua obra: Tempo e Memória. Entretanto, o próprio cineasta prefere se referir ao imaginário ou à consciência como as suas preocupações principais. Mais tarde, Resnais inclui referências de outras linguagens culturais, em especial do teatro, em suas obras. A expressão dessas referências nós a veremos em seus filmes do ciclo.

Resnais, desde Hiroshima, adota técnicas narrativas não convencionais e inovadoras no cinema, para expressar esses temas da memória conturbada e do passado imaginário. Ele tinha, também ligações estreitas com os autores e cineastas da chamada “Left Bank”, ou margem esquerda da Nouvelle Vague, compromissados com o modernismo e a visão política de esquerda, que incluíam nomes como Agnès Varda, Chris Marker, Jean Cayrol, Marguerite Duras e Alain Robbe-Grillet (todos colaboraram com Resnais).

A partir de 1968, os filmes de Resnais deixaram de abordar, pelo menos diretamente, grandes questões políticas como vários de seus filmes anteriores, e seus interesses convergiram para uma interação entre o cinema e outras formas culturais, incluindo teatro, música e histórias em quadrinhos.

“NOITE E NEBLINA” (curta, 1956) + “HIROSHIMA, MEU AMOR” (1959):

“Noite e Neblina” é um dos curtas mais importantes do cinema e um dos primeiros abordar os campos de concentração nazistas. É uma das obras mais admiradas do diretor. “Hiroshima, Meu Amor” é o primeiro longa de Resnais e tem roteiro de Marguerite Duras. Narra conversas intensamente pessoais durante um período de pouco mais de 24 horas entre uma atriz francesa e um arquiteto japonês. Inovador na linguagem, é um dos filmes mais influentes da época da Nouvelle Vague e que catalisou o Left Bank Group (ou Grupo da Margem Esquerda) do movimento francês, composto por Resnais, Agnès Varda e Chris Marker.

“AS ESTÁTUAS TAMBÉM MORREM” (curta, 1963) + “MEU TIO DA AMÉRICA” (1980):

“As Estátuas Também Morrem”, co-dirigido com Chris Marker, tece uma polêmica sobre a destruição da arte africana pelo colonialismo cultural francês. “Meu Tio da América” é uma comédia dramática que evoca as ideias de Henri Laborit, o cirurgião, neurobiólogo, filósofo e autor francês. René deixa a fazenda da família para se tornar um executivo, Janine deixa a família proletária para virar atriz e se envolve com Jean, um escritor burguês bem-sucedido. Os três colocam em prática a teoria do cientista francês. Com Gérard Depardieu, Nicole Garcia e Roger Pierre.

“GUERNICA” (curta, 1950) + “PROVIDENCE” (1977):

“Guernica”, com texto de Paul Éluard, é sobre a célebre obra de Picasso que, por sua vez, retrata a cidade bombardeada pelos nazistas na guerra civil espanhola. “Providence” explora os processos criativos através do retrato de um romancista envelhecido, interpretado por John Gielgud, que imagina cenas para seu último romance que se baseiam em seu passado e seus relacionamentos com membros de sua família. Uma obra-prima pouco mencionada de Resnais, vencedora do Prêmio Cesar de 1978.


 

“VAN GOGH” (curta, 1948) + “VOCÊS AINDA NÃO VIRAM NADA” (2012): “Van Gogh” é o de Resnais sobre Van Gogh, tendo como fonte as suas pinturas. Ganhou o Oscar de Melhor Curta. Em “Vocês Ainda Não Viram Nada”, depois da morte do dramaturgo Antoine d’Anthac, os atores que encenaram sua peça “Eurídice” em várias produções teatrais são chamados à sua casa para a leitura de seu testamento. Lá, descobrem que o autor deixou um vídeo para que eles avaliem. Inspirado em duas peças de Jean Anouilh, foi exibido em competição para a Palma de Ouro no Festival de Cannes de 2012.


 

“O ANO PASSADO EM MARIENBAD” (1961):

Célebre por sua estrutura narrativa enigmática, em que o tempo e o espaço são fluidos, o filme se passa em um palácio convertido em um hotel de luxo. Uma mulher e um homem podem ter se conhecido no ano anterior e podem ter iniciado um caso. Os personagens não têm nome. Estrelado por Delphine Seyrig e Giorgio Albertazzi, é considerado uma das maiores obras da história do cinema.

Um comentário em “[Atualizado] Ciclo de junho do Cine Cineasta foi suspenso. O ciclo Alain Resnais, antes anunciado, fica para momento posterior.

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