A sessão Cinematógrafo, que acontece todo último sábado do mês, é aquela que deu origem às demais ações Cinematógrafo. Ela é especialmente dedicada a filmes contemporâneos, eventualmente, pouco conhecidos e que suscitam reflexões sobre temas contemporâneos do cinema e da vida.
Neste mês de outubro, os curadores Camele Queiroz e Fabricio Ramos apresentam “Confissões de Uma Esposa” (1961), do diretor japonês negligenciado pelo cânone moderno e cujo trabalho vem sendo descoberto e recuperado, Yasuzō Masumura.
Sessão única: sábado, 25 de outubro, às 16h, na Saladearte Cinema do Museu.
A seguir, a nota dos curadores sobre o filme:
📒 NOTA DOS CURADORES
Nome negligenciado no cânone do cinema japonês do pós-guerra, Yasuzō Masumura (1924-1986) vem sendo “descoberto” nos últimos anos e, em meio de sua vasta cinematografia, “Confissões de Uma Esposa” (1961) figura entre as suas obras-primas. Dentre o vasto espectro temático e estilístico do diretor, é o filme que conjuga um de seus tropos essenciais – a individualidade feminina – com a subversão de elementos de trhiller e noir em uma parábola existencial e autorreflexiva de uma mulher diante de uma sociedade sexista.

O filme narra a história do julgamento de Ayako (interpretada por Ayako Wakao, uma das maiores e mais talentosas estrelas do cinema japonês), uma jovem esposa acusada de assassinar o marido em um acidente de alpinismo. Ayako enfrenta o tribunal e o processo traz à tona seus segredos e desejos mais íntimos diante da sociedade patriarcal japonesa. Masumura tensiona ethos e pathos num filme que acoa desde “O Estrangeiro”, novela de Albert Camus, até “O Ano Passado em Marienbad”, filme de Alain Resnais.
Yasuzō Masumura era formado em filosofia e estudou no Centro Spirimentale Cinematográfico, em Roma, onde Antonioni, Fellini e Visconti lecionavam. Trabalhou na Daiei – um dos maiores estúdios japoneses dos anos 1950, onde, antes de assumir seus próprios projetos, foi assistente de Mizoguchi, inclusive em “Rua da Vergonha” (1956), estrelado por Ayako Wakao.
A relação intrínseca de Masumura com o sistema de estúdios aliada à sua versatilidade (ele passeou, praticamente, por todos os gêneros e temas do cinema moderno) devem ter contribuído para a sua ausência no cânone dos grandes nomes do cinema autoral do Japão do pós-guerra. Contudo, Masumura subverteu o sistema e expressou sempre, em suas obras, o conflito entre a liberdade subjetiva e a resignação ao determinismo do ambiente social. Esse conflito é uma das forças essenciais de “Confissões de Uma Esposa”.
Por Mel e Fabricio, cineastas e curadores do Cinematógrafo na Saladearte
As sessões do Cinematógrafo são precedidas de breve apresentação dos curadores e seguidas de roda de conversa! Participe!
