Clássico brasileiro restaurado em 4K:
⏰️ Quarta, 18 de março, às 19h 📍 Na Saladearte Cinema do Museu – Corredor da Vitória
📽 GAROTA DE IPANEMA DE LEON HIRSZMAN I restaurado em 4k – 90 min. – 1967

📒 NOTA DOS CURADORES – Por Mel e Fabricio
Filme misterioso e provocante, realizado por um dos grandes nomes do Cinema Novo com a colaboração de outro grande de nosso cinema no roteiro, Eduardo Coutinho (que aparece em cena), Garota de Ipanema desmistifica a garota da canção mais famosa de Tom e Vinícius.
Márcia, vivida por Márcia Rodrigues, é a garota linda e cheia de graça, de dezessete anos, cuja errância pela zona sul carioca, para além do doce balanço a caminho do mar, é atravessada por questões existenciais, desejos, pressões sociais da classe média e pela espreita do vazio espiritual num ano de efervescência cultural e política.
1967 é o ano em que o tropicalismo ganhava forma decisiva e polêmica na cena brasileira, com o célebre III Festival da Canção na Record, a montagem de O Rei da Vela por Zé Celso e o Teatro Oficina e a irrupção chocante de Terra em Transe, de Glauber.
Leon Hirszman, cineasta politizado e próximo do realismo social (um dos fundadores do CPC da UNE, celeiro do Cinema Novo), já tinha feito curtas importantes e o longa A Falecida, estreia de Fernanda Montenegro no cinema. Viria a fazer, depois, os clássicos São Bernardo e Eles Não Usam Black-tie, além de ABC da Greve, com Lula liderando as greves operárias, e filmes sobre samba e cultura popular.
Garota de Ipanema é um ponto fora da curva que reúne um verdadeiro mosaico de presenças emblemáticas, com aparições de Chico, Baden Powell, Vinícius, Zózimo Bulbul, além de João Saldanha, Ziraldo, Rubem Braga, Fernando Sabino e Nara Leão. O elenco e a trilha já fazem valer a experiência. Mas a ambígua angústia de Márcia é que dá o tom do filme, num Brasil pré-AI-5 sintetizado na República de Ipanema, reduto da elite politizada e boêmia do país.
