A Sessão Cinematógrafo acontece sempre no último sábado do mês, na Saladearte – Cinema do Museu, e apresenta filmes que ensejem conversas sobre temas contemporâneos de perspectivas abrangentes e variadas. As sessões são seguidas de Rodas de Conversa, no pátio/café do Cinema!

Neste sábado (29), às 16h, vamos ver “Paul s’en va”, último filme de Alain Tanner. Sessão única. Leia, mais baixo, a Nota dos Curadores do Cinematógrafo, Mel e Fabricio, sobre o filme.


📒 NOTA DOS CURADORES

Carlos Drummond de Andrade, Pier Paolo Pasolini, Aimé Césaire, Frantz Fanon, Louis-Ferdinand Céline, Rimbaud… inventário poético de uma geração.

Alain Tanner (1929-2022) foi um expoente do cinema suíço e nome essencial do cinema moderno europeu. Vários de seus filmes exprimiam aspirações e desilusões da geração pós-68, como o seu filme mais conhecido que se tornou Cult no Brasil, “Jonas Que Terá Vinte e Cinco Anos no Ano 2000”, de 1976, ou dedicava o olhar a indivíduos inadequados à normalidade social. Era, ao mesmo tempo, cúmplice e crítico do idealismo politizado de toda uma geração, expandindo, em seus filmes, as narrativas políticas para o espaço poético e alegórico.

“Paul s’en va” (2004) é o seu último filme. A obra resulta de uma experiência real com dezessete alunos de uma Escola de Teatro suíça. Da perspectiva de uma transição geracional do conhecimento, o filme é sobre o desaparecimento de Paul (nome da maioria dos heróis de Tanner, que encarnam aspectos de seu alterego), um professor desiludido com os rumos do mundo contemporâneo. Seu sumiço intriga alguns alunos que, ao investigarem o que teria acontecido, descobrem que o professor deixara uma tarefa poética especialmente dirigida para cada um dos alunos e alunas. Ao realizá-las, eles descobrem algo sobre si mesmos e o mundo.

Para contar essa história, Tanner divide o filme em partes. Cada aluno, em algum momento, cita passagens de escritores e pensadores como, entre outros, Pier Paolo Pasolini, Aimé Césaire, Frantz Fanon, Louis-Ferdinand Céline, Rimbaud, e mesmo o nosso Carlos Drummond de Andrade. O filme acaba por oferecer um breve inventário poético/político de uma geração que sai de cena e, angustiosamente, passa o bastão para a geração seguinte. Em “Paul s’en va”, tanto as agruras quanto as belezas do mundo são evocadas para tecer uma reflexão poética sobre o estado de coisas no mundo.

Alain Tanner não quis mais fazer filmes depois de “Paul s’en va” . Cineasta devotado ao pensamento sobre a crise dos sentidos, o cinema – ou a economia do cinema – o desestimulou. Mas ele se deu por satisfeito e este breve filme acaba assumindo os contornos de uma despedida: o mestre Paul/Tanner sai de cena e convoca seus jovens alunos ao desafio de sonhar, já em outro mundo, com outros mundos possíveis.

Por mel e fabricio, cineastas e curadores do Cinematógrafo na Saladearte.

Publicidade

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s