O encontro foi mediado pelos curadores do Cinematógrafo, os cineastas Fabricio Ramos e Camele Queiroz, e a gravação pode ser conferida abaixo:

 

“A Coleção Invisível”, filme de Bernard Attal, é o assunto de nosso 15º Encontro Virtual Saladearte Daten e Cinematógrafo. A conversa conta com a participação especial do diretor Bernard Attal e do ator Vladimir Brichta!

Assista ao filme no Vimeo, acessível online até sábado. Acesse em: https://vimeo.com/76886671

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Clarrisse Abujamra, Vladimir Brichta e Walmor Chagas em “A Coleção Invisível”.

 

A COLEÇÃO INVISÍVEL (2012)

Rodado parte em Salvador, parte em Itajuípe e fazendas da região cacaueira, o filme narra um episódio de autodescoberta de Beto (Brichta). Uma tragédia impacta a sua vida e, buscando enfrenta-la de algum modo, ele viaja para Itajuípe em busca de gravuras raras, na tentativa de ajudar a resolver problemas da loja de antiguidades da família. Em sua viagem, a sua tragédia pessoal se encontra com uma tragédia histórica que reflete as chagas sociais e existenciais na vida de seus personagens.

Inspirado no conto homônimo de Stefan Zweig, “A Coleção Invisível” traz a última participação de Walmor Chagas no cinema. No último encontro, nós conversamos sobre “São Paulo S/A” (1965), de Luiz Sergio Person, que foi justamente a primeira atuação de Walmor no cinema.

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Wladimir Brichta e Walmor Chagas durante ‘avant-première’ no cinema Odeon no Rio de Janeiro.

Antes de “A Coleção Invisível”, Bernard Attal já havia feito o belo documentário “Os Magníficos”, que – com alguma inspiração no clássico “Soberba”, de Orson Welles – retrata o impacto da trágica derrocada da lavoura cacaueira no Sul da Bahia na vida de pessoas da região.

A seguir, um belíssimo comentário do grande crítico e professor André Setaro, que nos deixou em 2014, sobre “A Coleção Invisível”:

“A Coleção Invisível”, filme surpreendente de Bernard Attal principalmente em se tratando de seu primeiro longa, parece a tradução em imagens em movimento da frase de Jorge Luiz Borges “só é nosso o que já perdemos”. O que mais o fortalece, em termos de estrutura audiovisual, é a maturidade de sua narrativa, a capacidade de articular os elementos da linguagem cinematográfica sem a demonstração modista e contemporânea de ”estar fazendo um filme”. O filme se desenvolve sem as ‘firulas’ de linguagem habituais, principalmente no desvalido cinema baiano, surpreendendo pela maturidade na condução da narrativa. Filme-rio, que navega com tranquilidade, mas sempre apostando nas surpresas de seu percurso e nos declives de sua fábula. Obra que sinaliza para um processo de descoberta e amadurecimento, ”A Coleção Invisível” é um ponto alto do cinema baiano contemporâneo. E seria bater na mesma tecla dizer que a interpretação de Walmor Chagas, em seu derradeiro filme, é genial.

A desolada paisagem da zona do cacau, antes próspera e que sofreu profunda decadência com o advento da ‘vassoura da bruxa’, praga mortal, serve de contraponto ao ‘desbussolado’ personagem que encontra, durante a sua viagem exterior e interior, a descoberta de si mesmo. O plano final, que mostra Wladimir Brichta sorrindo, dentro do carro, sinaliza a sua transformação e redenção. O encontro não marcado com a paisagem, portanto, e com as pessoas que a compõem, proporciona-lhe a descoberta e a constatação de uma segunda chance no seu processo existencial.

De André Setaro (2013)

Nosso encontro é neste sábado, 30 de maio, às 16h, através do Google Meet.

Para receber por email os links de nossos encontros, cadastre seu email: clique aqui.  e/ou acompanhe as nossas redes sociais no Instagram e Facebook.

O CINECLUBE SALADEARTE DATEN e CINEMATÓGRAFO

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Enquanto as sessões do Cinematógrafo no Circuito de Cinema Saladearte estão suspensas por conta do distanciamento social imposto pelo coronavírus, a Saladearte Cine Daten, junto com os curadores do Cinematógrafo – os cineastas Camele Queiroz e Fabricio Ramos – vão promover encontros virtuais para conversar sobre filmes que serão propostos e podem ser vistos online.

Segundo os curadores, “várias plataformas culturais de streaming abriram seus catálogos temporariamente para acesso gratuito, ampliando a oferta de filmes independentes que nem sempre podem ser vistos em plataformas como Netflix. E mesmos nesta, há filmes que podem entrar em nossas sugestões”.

A cada semana, os curadores indicarão nas redes sociais do Cinematógrafo e do Circuito Saladearte um filme para ser visto online, em casa! Os bate-papos virtuais sobre os filmes acontecerão aos sábados e às quartas, às 16h, na plataforma Google Meet, com mediação dos próprios curadores.

O público interessado pode se cadastrar no breve formulário online para receber por email o link de acesso aos encontros virtuais: acesse o formulário.

Ou acompannhar no Instagram e Facebook do Cinematógrafo a programação durante toda o período em que as salas de cinema precisarem ficar fechadas por conta do distanciamento social necessário para conter a disseminação do coronavírus.

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