Werner Herzog, diretor que escreveu e dirigiu mais de sessenta filmes de ficção e documentários, é o nosso cineasta de abril. A admiração de Herzog pelo cinema Novo brasileiro se revela em seus próprios filmes. Cinco de suas obras, que revelam uma das parcerias mais lendárias do cinema, serão exibidas no Circuito Saladearte entre os dias 9 e19 deste mês. Todas coma. participação de Klaus Kinski.

Considerado um dos diretores contemporâneos mais inovadores, Werner Herzog é associado ao Novo Cinema Alemão, movimento que congrega grandes nomes do cinema mundial como Margarethe von Trotta, Alexander Kluge, Wim Wenders, Hans-Jürgen Syberberg e Rainer W. Fassbinder, entre outros.

Para Deleuze, Herzog é “o mais metafísico dos autores de cinema”. De fato, com uma filmografia original e polêmica, Herner Herzog é um diretores mais controversos do mundo e também um dos mais admirados. Mundialmente conhecido por escrever, dirigir e produzir seus próprios filmes, em suas produções ele mostra heróis com sonhos impossíveis, cenários míticos e a tragédia do mundo. Assim ele cria a autenticidade que exibe o drama e a essência da vida.

O Cinema Novo brasileiro foi uma preciosa fonte do Novo Cinema Alemão! E o cinema de Herzog é o mais flagrante dos casos dessa influência. Dentre os nomes do Novo Cinema Alemão, Herzog foi quem mais radicalmente rechaçou a artificialidade de estúdio, os atores profissionais e a paisagem urbana europeia, buscando registrar as “imagens nunca vistas”, onde pretendia encontrar uma realidade mais “verdadeira”.

Desde os seus primeiros filmes, são inegáveis as afinidades com o Nelson Pereira de “Vidas Secas” ou o Glauber de “Deus e o Diabo na Terra do Sol”. Depois, Herzog viria filmar na selva amazônica o mítico “Aguirre, a Cólera dos Deuses” (1972), quase como homenagem a Glauber Rocha (coincidência ou não, “A Ira de Deus” fora o primeiro título pensado para “Deus e o Diabo na Terra do Sol”, de 1964). E principalmente a Ruy Guerra, cujo filme “Os Deuses e os Mortos” (1970) contava então entre seus prediletos, e que interpreta um dos papéis centrais de “Aguirre”.

Fitzcarraldo (1982)

Em “Fitzcarraldo” (1982), que teve como cenário a Amazônia do auge do ciclo da borracha, Herzog percebeu com aguda sensibilidade o significado transcendente da ópera de Verdi tocada no “Eldorado” de “Terra em Transe” (filme de Glauber de 1967), transformando-a no próprio assunto do seu filme de 1982, uma vez mais estrelado por seu ator fetiche, figura excêntrica e de intensa personalidade, Klaus Kinski, com quem o diretor vivia uma relação tulmultuosa. A relação entre os dois, inclusive, é o tema de “Meu Melhor Inimigo”, de 1999.

Herzog também trabalhou com atores e personalidades brasileiras como José Lewgoy e Grande Othelo, que aparecem em “Fitzcarraldo”, junto com Milton Nascimento! A célebre atriz italiana (nascida na Tunísia) Claudia Cardinale também participa do filme.  Em “Cobra Verde” (1987), parcialmente rodado no Brasil, a inspiração glauberiana é evidente já nas cenas iniciais, em que o herói examina carcaças de gado sobre a terra rachada pela seca. Lewgoy atua num dos papéis principais. A figura histórica controversa de Francisco Félix de Sousa, natural de Salvador, Bahia, inspirou o romance de 1980 de Bruce Chatwin, “O vice-rei de Ajudá”. Nesse filme, Herzog adapta o romance que retrata, misturando história e ficção, a vida do maior traficante de escravos do Brasil, interpretado por Klaus Kinski. O filme foi rodado em locações no Brasil, Colômbia e Gana.

Nosferatu, O Vampiro da Noite” (1979), também está na mostra. É a versão de Herzog do clássico do expressionismo alemão de 1922, realizado por F.W. Murnau (1888-1931). Sintonizado com seu tempo, o filme traz o som progressivo da banda Popol Vuh, a mesma que compôs a trilha e “Cobra Verde”.

PROGRAMAÇÃO

Entre 9 e 19 de abril de 2022, o Cinematógrafo – Cine Cineasta vai exibir cinco obras de Werner Herzog no Circuito de Cinema Saladearte, com sessões matinais no CineMAM (Museu de Arte Moderna, Av. Contorno) e o encerramento à noite no Cine Daten (Paseo Itaigara). As sessões são sempre precedidas de breves apresentações introdutórias e seguidas de conversas abertas no Café.

FITZCARRALDO (1982): sábado, dia 9, às 10h, no CineMAM;

NOSFFERATU, O VAMPIRO DA NOITE (1979): domingo, dia 10, às 10h, no CineMAM;

COBRA VERDE (1987): sábado, dia 16, às 10h, no CineMAM;

MEU MELHOR INIMIGO (1999): domingo, dia 17, às 10h, no CineMAM;

AGUIRRE, A CÓLERA DOS DEUSES (1972): terça, dia 19, às 19h, no Cine Daten (Paseo).

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