O CinematograFinho na Saladearte de dezembro apresenta: História sem Fim (1984). Dirigido por Wolfgang Petersen. Dia 15/12 (sáb), às 15h, no Cinema do Museu.

SINOPSE: Bastian (Barret Oliver)  é um garoto que usa sua imaginação como refúgio dos problemas do dia-a-dia, como as provas do colégio, as brigas na escola e a perda de sua mãe. Um dia, após se livrar de alguns garotos que insistem em atormentá-lo, ele entra em uma livraria. Lá o proprietário mostra um antigo livro, chamado A História Sem Fim, o qual classifica como perigoso. O alerta atiça a curiosidade de Bastian, que pega o livro emprestado sem ser percebido. A leitura o transporta para o mundo de Fantasia, um lugar que espera desesperadamente a chegada de um herói. A imperatriz local (Tami Stronach) está morrendo e, junto com ela, o mundo em que vive é aos poucos devorado pelo feroz Nada. A única esperança é Atreyu (Noah Hathaway), que busca a cura para a doença da imperatriz com a ajuda de Bastian.

A HISTÓRIA SEM FIM (Wolfgang Petersen, 1984, 1h35, EUA/Alemanha).

Versão com áudio original, com legendas especialmente adaptadas para facilitar a leitura das crianças!

Sobre o filme:

Embora hoje seja mais conhecido pela glória do passado, Wolfgang Petersen já foi um dos mais renomados diretores do mundo. Um dos motivos para ter alcançado esse posto, é o clássico infantil A História Sem Fim.

Filmado em 1984, o filme é uma adaptação do livro “Die unendliche Geschichte” do escritor alemão Michael Ende. Ele narra a imersão do garoto Bastian num mundo fantástico através de um livro enquanto cabula uma aula de matemática.

Do site Segundomelhor:

Por que ”A História Sem Fim” ainda é cativante

O filme se inicia junto com o dia do protagonista Bastian, (interpretado de forma carismática por Barret Oliver) que, tentando escapar do bullying, se esconde numa livraria e encontra o livro A História Sem Fim. Mesmo sendo alertado pelo dono do comércio que aquele livro era perigoso, Bastian leva o livro consigo. Ele começa a ler o livro em vez de ir à escola: então, a história começa.

O filme apresenta um mundo repleto de criaturas estranhas e interessantes, desde seres cômicos e divertidos até bruxas e figuras sombrias envoltas em mantos! Além de diversos cenários imaginativos que o protagonista e seus novos amigos atravessam ao longo do filme.

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Dessas criaturas, o grande destaque, sem dúvida, é do dragão da sorte Falkor, que com corpo comprido e cara de cachorro nos repele por seu tamanho e nos conquista com sua expressão canina. Sua personalidade totalmente otimista quebra o tom fúnebre de um mundo em destruição que parece não ter salvação. Aparece também o simpático casal de idosos ranzinzas e, ao mesmo tempo, carinhosos.

A narrativa do filme é dinâmica e o arco dramático prende a atenção dos adultos e jovens, ao mesmo tempo em que é simples o bastante para que crianças acompanhem e se entusiasmem! As cenas são animadas com uma rica trilha sonora que nos transporta para os anos 1980.

A História Sem Fim é um filme que não se apagou com o tempo e é uma ótima forma de estimular a imaginação de forma saudável e uma porta de entrada do cinema para o público infantil.

A seguir, um texto para quem já viu o filme, pois contém comentários sobre a trama (do site Segundomelhor):

Por que A História Sem Fim é, em essência, um filme para adultos.

Ainda que tenha roupagem infantil, A História Sem Fim é uma crítica lúcida ao mundo dos adultos e ao conceito de maturidade, que implica em aceitar a realidade e sufocar a imaginação.

Já na cena do café da manhã, isso fica posto quando o pai critica as notas ruins em matemática – símbolo do pragmatismo da vida moderna – e o manda parar de sonhar acordado, dizendo que já é hora de “manter os dois pés no chão”. Para um espectador adulto, o pai pode parecer uma caricatura em seu discurso, mas o processo de educação dentro da escola e da sociedade consiste exatamente na absorção dessa ordem: aprender a ser realista e a viver no mundo como ele é.

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Ao chegar à escola, Bastian vê que a professora de matemática está aplicando uma prova e ele opta por se esconder no sótão e ler o livro. Essa cena demonstra a recusa de Bastian em seguir o conselho do pai, onde a prova de matemática simboliza a pressão por aprender a ver o mundo de forma prática e o livro é o escape da imaginação. Opção que talvez só seja possível a uma criança escolher.

A primeira parada de Atreyu é no encontro com o ancião Morla, que demonstra indiferença a tudo e intolerância à juventude. Essa cena mostra a postura de alguns adultos e principalmente idosos frente aos questionamentos infantis e retrata de forma caricata o niilismo desesperador frente à vida que costuma crescer junto com a idade e a iminência da morte. O filme conclui que a um ser que acumula tanta amargura e falta de esperança, só resta viver isolado no Pântano da Tristeza.

Falkor, por sua vez, é o outro extremo desse cenário sendo absolutamente otimista e vendo o mundo com olhos sempre esperançosos. É possível se perguntar como pode haver dois seres com posturas tão diferentes se ambos vivem num mesmo mundo que está ameaçado a desaparecer. Ora, como disse Erasmo de Rotterdam, “é uma extravagância querer fazer consistir a felicidade do homem na realidade das coisas, quando essa realidade depende exclusivamente da opinião que se tem dela”. Assim, Falkor é o exemplo a ser seguido, ou o “vir a ser” do indivíduo. Não por acaso, Atreyu se une a ele em sua jornada. Já o casal idoso que os ajuda a entender o Oráculo do Sul representa a relação conflituosa, mas necessária, entre ciência (ou trabalho) e afeto. Enquanto o homem é analítico, organizado e apaixonado pelo próprio trabalho, a mulher é espontânea e atenciosa, e os dois estão sempre brigando. Fica claro que nenhum deles poderia sobreviver sem o outro.

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Os portais que levam ao Oráculo parecem tentar ensinar lições básicas e clichês como acreditar e conhecer a si mesmo. Mas se o primeiro portal se limita a afirmação da autoconfiança, o segundo portal é mais complexo. Trata-se de um espelho onde as pessoas veem seu verdadeiro eu. Ao encarar o espelho, Atreyu vê Bastian, que tem uma personalidade contrastante com a dele. Enquanto Atreyu é um guerreiro destemido e com vontade de ferro, Bastian é introvertido e medroso. Mas o grande diferencial dessa cena é que ao mesmo tempo em que Atreyu se vê como Bastian, este se vê como Atreyu. Essa cena é importante para o arco da trama (nos é explicitado que é a aventura de Bastian que realmente temos acompanhado), mas também quer nos mostrar que a visão que temos de nós mesmo é montada através da arte e da imaginação; essa visão, por sua vez, molda o que somos realmente, num processo dicotômico.

Ao fim, Fantasia é completamente destruída e a mensagem que o filme tenta mandar aos adultos se torna explícita. A imperatriz diz que sempre soube qual era a cura para seu mal: ganhar um novo nome de uma criança da Terra. Mas Bastian se recusa a acreditar que ele tenha algum poder para mudar o destino daquele universo. Ela explica que as aventuras de Atreyu fizeram com que Bastian entrasse em Fantasia e tivesse o poder de salva-la e que a vida de Bastian também está sendo seguida por outras pessoas, nós. Portanto, nós teríamos sobre Bastian o mesmo pode que ele tem sobre Fantasia. O poder que Bastian tem para mudar o destino de Fantasia reside unicamente em acreditar que pode faze-lo. Então, numa tomada frontal (o que demonstra que ela está se comunicando com a plateia e não com outro personagem), vemos o rosto da imperatriz tomar toda a tela, e em prantos, ela pergunta: “Por que você não faz o que sonha?”, quando Bastian responde em nome de todos nós: “Eu não posso. Preciso manter os pés no chão!”.

Apesar da melancolia dessa cena, o fim do filme também mostra esperança, quando toda a Fantasia volta à vida no momento que Bastian passa a acreditar nos próprios sonhos, ainda que de início, isso possa ser assustador (”Por que está tudo tão escuro?” pergunta Bastian. A imperatriz responde: “O começo é sempre escuro.”).

A última cena do filme, em que Bastian sobrevoa sua cidade com Falkor e dá uma lição nos “bullies” que o perseguiam, o filme traz a importância máxima dos sonhos e da imaginação: Trazer as utopias à nossa realidade para transformar o mundo em um lugar melhor.

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