Werner Herzog, diretor que escreveu e dirigiu mais de sessenta filmes de ficção e documentários, é o nosso cineasta de março. A admiração de Herzog pelo cinema Novo brasileiro se revela em seus próprios filmes. Seis de suas obras serão exibidas no Circuito Saladearte entre 14 e 25 deste mês.

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Herzog e Klaus Kinski durante as filmagens de “Cobra Verde” (1987)

Considerado um dos diretores contemporâneos mais inovadores, Werner Herzog é associado ao Novo Cinema Alemão, movimento que congrega grandes nomes do cinema mundial como Margarethe von Trotta, Alexander Kluge, Wim Wenders, Hans-Jürgen Syberberg e Rainer W. Fassbinder, entre outros.

Para Deleuze, Herzog é “o mais metafísico dos autores de cinema”. De fato, com uma filmografia original e polêmica, Herner Herzog é um diretores mais controversos do mundo e também um dos mais admirados. Mundialmente conhecido por escrever, dirigir e produzir seus próprios filmes, em suas produções ele mostra heróis com sonhos impossíveis, cenários míticos e a tragédia do mundo. Assim ele cria a autenticidade que exibe o drama e a essência da vida.

O Cinema Novo brasileiro foi uma preciosa fonte do Novo Cinema Alemão! E o cinema de Herzog é o mais flagrante dos casos dessa influência. Dentre os nomes do Novo Cinema Alemão, Herzog foi quem mais radicalmente rechaçou a artificialidade de estúdio, os atores profissionais e a paisagem urbana europeia, buscando registrar as “imagens nunca vistas”, onde pretendia encontrar uma realidade mais “verdadeira”.

Desde os seus primeiros filmes, são inegáveis as afinidades com o Nelson Pereira de “Vidas Secas” ou o Glauber de “Deus e o Diabo na Terra do Sol”. Depois, Herzog viria filmar na selva amazônica o mítico “Aguirre, a Cólera dos Deuses” (1972), quase como homenagem a Glauber Rocha (coincidência ou não, “A Ira de Deus” fora o primeiro título pensado para “Deus e o Diabo na Terra do Sol”, de 1964). E principalmente a Ruy Guerra, cujo filme “Os Deuses e os Mortos” (1970) contava então entre seus prediletos, e que interpreta um dos papéis centrais de “Aguirre”.

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Fitzcarraldo (1982)

Em “Fitzcarraldo” (1982), que teve como cenário a Amazônia do auge do ciclo da borracha, Herzog percebeu com aguda sensibilidade o significado transcendente da ópera de Verdi tocada no “Eldorado” de “Terra em Transe” (filme de Glauber de 1967), transformando-a no próprio assunto do seu filme de 1982, uma vez mais estrelado por seu ator fetiche, figura excêntrica e de intensa personalidade, Klaus Kinski, com quem o diretor vivia uma relação tulmultuosa. A relação entre os dois, inclusive, é o tema de “Meu Melhor Inimigo”, de 1999.

Herzog também trabalhou com atores e personalidades brasileiras como José Lewgoy e Grande Othelo, que aparecem em “Fitzcarraldo”, junto com Milton Nascimento! A célebre atriz italiana (nascida na Tunísia) Claudia Cardinale também participa do filme.  Em “Cobra Verde” (1987), parcialmente rodado no Brasil, a inspiração glauberiana é evidente já nas cenas iniciais, em que o herói examina carcaças de gado sobre a terra rachada pela seca. Lewgoy atua num dos papéis principais.

Além dos filmes citados, a mostra do Cine Cineasta exibe ainda “O Homem Urso”(2005), filme sobre a vida e a morte do ambientalista e amante dos ursos Timothy Treadwell. E “Nosferatu, O Vampiro da Noite” (1979), a versão de Herzog do clássico do expressionismo alemão de 1922, realizado por F.W. Murnau (1888-1931). Sintonizado com seu tempo, o filme traz o som progressivo da banda Popol Vuh, a mesma que compôs a trilha e “Cobra Verde”.

Entre 14 e 25 de março de 2020, o Cinematógrafo – Cine Cineasta vai exibir seis obras de Werner Herzog no Circuito de Cinema Saladearte, com sessões no Cinema do Museu e no Cinema da UFBA, sempre precedidas de breves apresentações introdutórias e seguidas de conversas e debates.

Programação:

FITZCARRALDO (1982): sábado, dia 14, às 10h, no Cinema do Museu;

O HOMEM URSO (2005): domingo, dia 15, às 10h, no Cinema do Museu;

AGUIRRE, A CÓLERA DOS DEUSES (1972): quarta, dia 18, às 19h20, no Cinema da UFBA;

COBRA VERDE (1987): sábado, dia 21, às 10h, no Cinema do Museu;

MEU MELHOR INIMIGO (1999): domingo, dia 22, às 10h, no Cinema da UFBA;

NOSFFERATU, O VAMPIRO DA NOITE (1979): quarta, dia 25, às 19h20, no Cinema da UFBA.

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