Um cinema expressivo da proposta curatorial do Cinematógrafo: a Condição humana sob o prisma de histórias íntimas e conflitos familiares, eticamente desafiadoras e com sutil perspectiva política, histórica e existencial. Sessão única, sábado, dia 18 de dezembro, no Cine MAM.

Em seus filmes, Asghar Farhadi tem o êxito de imprimir, nessas temáticas complexas, um tom equilibrado de melodrama e suspense, tornando seus filmes envolventes e eficazes num dos aspectos importantes do cinema: a identificação.

A premissa narrativa de “A Separação” (2011), Vencedor do Oscar de Melhor Filme Internacional em 2012, é simples: um casal iraniano de classe média está se separando, enfrentando conflitos na relação e a decepção de sua filha. Outros conflitos emergem quando o marido contrata uma babá de classe baixa para cuidar de seu pai, que sofre de Alzheimer.

O drama de intensidade crescente mobiliza, no espectador, dilemas éticos, tensões psicológicas e imaginação moral, sem prescindir da tensão emocional, que gera o fator de identificação: aquela família iraniana enfrenta contextos próprios culturais, mas no nível existencial, seu drama ganha contornos universais e seus problemas são os nossos.

Asghar Farhadi, em seus filmes (pensemos na singela obra-prima “Procurando Eli”) não procura propor soluções. Em “A Separação”, o diretor levanta questões de classe e gênero, mas também de responsabilidade ética. As personagens revelam conflitos de subjetividades, seja em relação com as pressões culturais contingentes (o cenário sociopolítico do Irã contemporâneo), seja de caráter íntimo e universal: o problema de dizer a verdade, as consequências da inflexibilidade e orgulho, as tensões entre o masculino e o feminino numa sociedade hierárquica que engendra tirania e egoísmo.

Por Mel e Fabricio, curadores

O CINEMATÓGRAFO

Nós completamos cinco anos neste mês de dezembro, mais de quatro deles em parceria com o Circuito Saladearte. A nossa programação é mensal, com diferentes ações que incluem mostras de grandes nomes do cinema, programas inclusivos para crianças, sessões Cult e de Comédia, além do Cinematógrafo, a sessão raiz voltada para filmes contemporâneos que evoquem assuntos do mundo contemporâneo, ligados à arte, à política e à vida mesma.

O nosso esforço é o de incentivar uma relação de confiança e de descoberta entre o público e a curadoria, feita pelos cineastas Camele Queiroz e Fabricio Ramos. Participem!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s