“Túmulo dos Vagalumes” completa 30 anos no ano da morte de seu diretor, que morreu em abril deste ano. O Cinematógrafo homenageia Takahata na sessão do dia 3 de novembro (sáb), às 16h30, na Saladearte Cinema do Museu.

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Em abril deste ano, o mundo da animação perdeu uma de suas mentes mais brilhantes que deixou como legado inúmeras obras que vêm marcando gerações. Isao Takahata foi um dos gênios criadores do gigante Studio Ghibli, ao lado de Hayao Miyazaki.

O Cinematógrafo apresenta o dilacerante “Túmulo dos Vagalumes”, realizando uma dupla homenagem: no ano da morte do diretor, a sessão exibe o filme que completa trinta anos em 2018.

Lançado, portanto, em 1988, “Túmulo dos Vagalumes” narra a história de duas crianças japonesas que, no fim da segunda guerra mundial, tentam desesperada e esperançosamente, sobreviver numa cidade assolada pelos constantes bombardeios aéreos e pela miséria que toda guerra traz em seu rastro de morte e destruição. Trata-se de um sensível drama de guerra que desloca o foco das cenas de ação para valorizar a perspectiva de duas crianças que sofrem as consequências de um conflito de proporções catastróficas.

Ao criar o filme, Takahata se inspirou no livro homônimo do escritor japonês Akiyuki Nosaka, autor do relato parcialmente biográfico Túmulo dos Vagalumes. Nosaka, que se tornara órfão pouco depois de nasce (em 1930), realmente perdeu os pais adotivos em 1945, durante os bombardeios da Força Aérea dos Estados Unidos sobre o Japão.

No filme, Takahata adapta a história trágica criando um drama realista de dois órfãos que obrigados precocemente a enfrentar o terror, a perda e a fome, numa luta pela vida não isenta de amor, companheirismo e ludicidade. A alternância das cenas dramaticamente impactantes com momentos de beleza em meio do caos, sem o recurso da fantasia onírica típico de animações, dá ao filme o caráter de uma obra profunda e exigente, emocionante e desafiadora, que grita e clama contra a desumanização crescente do mundo. Um clamor tanto mais revoltante porque nos chega a partir da enternecedora perspectiva infantil.

Túmulo dos Vagalumes não teve carreira nos Festivais de cinema considerados mais importantes e badalados, mas ganhou prestígio e consolidou seu lugar ao longo dos anos.

 

SINOPSE:

Os irmão Setsuko e Seita vivem no Japão em meio a Segunda Guerra Mundial. Após a morte da mãe num bombardeio americano e a convocação do pai para a Guerra, eles vão morar com alguns parentes. Insatisfeitos, saem da cidade e acabam num abrigo isolado na floresta, onde lutam contra a fome e as doenças e se divertem com as luzes dos vaga-lumes.

“Túmulo dos Vagalumes”, cor, 89min, 1988. Japão. Dir. Isao Takahata.

O CINEMATÓGRAFO NA SALADEARTE

O Cinematógrafo acontece mensalmente na Saladearte — Cinema do Museu (Corredor da Vitória), sempre no último sábado do mês, exibindo filmes de formas e temas diversificados. A curadoria é dos cineastas Fabricio Ramos e Camele Queiroz e as sessões são sempre seguidas de uma boa conversa sobre o filme, mas também sobre as relações do cinema com a arte e a vida. Os ingressos são vendidos normalmente no local, com preço especial no valor de meia entrada para todos.

Localização:

 

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Um comentário em “Cinematógrafo homenageia Isao Takahata exibindo o dilacerante e sensível “Túmulo dos Vagalumes”

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