“O que é a arte?”. “Afterimage”, último filme do cineasta ganhador do Oscar Andrzej Wajda, aborda a vida de um artista em conflito com o Estado. Sessão única no Cinematógrafo de novembro, 16h30, na Saladearte – Cinema do Museu, na Vitória.

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Qual é a importância da arte para a sociedade? O que é a arte? O que pode oferecer um artista?

Essas são questões  em “Afterimage”, de 2016, o último filme do célebre diretor polonês Andrzej Wajda, que morreu pouco antes do lançamento do filme naquele ano, aos 90 anos de idade. A narrativa se baseia na história de Wladyslaw Strzeminski (1893-1952), artista que, em luta contra o regime autoritário soviético, superou dificuldades para se tornar um dos criadores mais reverenciados do Século XX.

Situado entre 1948 e 1952, em pleno regime stalinista e na Guerra Fria, o filme valoriza a resistência individual de Strzeminski, pintor e professor cuja resiliência marca toda a sua trajetória de vida: combateu na 1ª Guerra Mundial (quando perdeu uma perna e um braço), ainda assim, fundou, em 1934, o Museu de Arte Moderna da Polônia, um dos primeiros de toda a Europa.

Em “Afterimage”, estamos diante de uma reflexão sobre a imagem, em especial, a imagem artística e sua função na sociedade e no espírito humano. O termo Afterimage diz respeito a um dos aspectos da Teoria da Visão elaborada por Strzeminski, no fim da década de 1950. O conceito fala sobre as imagens que ficam registradas em nossas retinas mesmo após não estarmos mais olhando para o objeto em questão. Uma imagem residual que, para o artista, é uma forma de ‘consciência da visão’.

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Tal consciência funciona também como uma contundente metáfora que evoca toda a obra de Wajda, referenciada na história política da Polônia sem prescindir de uma universalidade e um sentido crítico sobre a relação entre o pensamento, a arte e a política que, como veremos, se mantém atual.

Em uma cena plástica, vemos Strzeminski rasgar uma imagem de Stalin. Antes, na Escola de Belas Artes, vemos um professor, em meio aos estudantes, recusar a sujeição às imposições oficiais sobre a função da arte. “O que é a arte?”, ele pergunta. Era Strzeminski, cuja vida, dali em diante, inspira a juventude de seu país mas também se orienta para o trágico desfecho marcado por um intenso, mas discreto e resiliente heroísmo em nome da liberdade de criar e pensar.

Sessão única neste sábado (30), às 16h30, na Saladearte – Cinema do Museu, no Corredor da Vitória. A sessão é seguida de bate-papo conduzido pelos curadores do Cinematógrafo (os cineastas Camele Queiroz e Fabricio Ramos), ao pé da mangueira, no bar/café do cinema mais charmoso de Salvador.

Os ingressos custam 25,00 a inteira e 12,50 a meia (estudantes, professores, jornalistas e conveniados), e podem ser adquiridos antecipadamente nas bilheterias de qualquer sala do Circuito Saladarte (no shopping Paseo Itaigara, na UFBa do Canela, no Cine MAM do Solar do Unhão e no próprio Cinema do Museu, onde acontecem as sessões mensais do Cinematógrafo).

Participe! O Cinematógrafo, que promove diversos encontros de cinema mensais em parceria com o Circuito Saladearte, busca aproximar o cinema da vida mesma, favorecendo conversas e encontros sobre aspectos cotidianos do mundo e problemas contemporâneos.

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